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Mulheres reafirmam o lugar feminino no mundo do esporte

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Brasil
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Celebrado mundialmente neste 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é um momento, em especial, de reflexão das conquistas e garantias dos direitos das mulheres. No universo esportivo, em particular, elas continuam aumentando a participação seja como atletas, árbitras e torcedoras organizadas nas arquibancadas, reafirmando que elas podem ocupar qualquer espaço com segurança, dignidade e competência.

A bicolor Giselly Vilhena, 30 anos, técnica em enfermagem, passou a frequentar os jogos com 17 anos. “sempre fui só, meu pai nunca me levou pra estádio, e a primeira vez que fui com a minha mãe em jogos foi em 2012. E com meu irmão em 2014. Nesta época era complicado uma garota ir ao estádio sozinha, sempre tinha aquele estereótipos de maria chuteira”, conta Gisa, como é conhecida.

Aos pouco foi conquistando espaço e hoje é diretora da torcida Apayxonadas, além de ser diretora da comissão de festas bicolor (grupo que realizou todos os mosaicos do Paysandu) e da organização de campanhas de doação de sangue no Hemopa.

“Sofri assédio, sim, na fila pra entrar no estádio, naquele momento de aperto aproveitavam pra passar a mão, eu reclamava mesmo assim sempre tinha aquele que dizia ‘aqui não e lugar de mulher’, de escutar piadinhas insinuando que ou era lésbica, ou que tava ali querendo algo. Mesmo assim me mantive firme e mostrava que eu me dava o respeito e exigia o mesmo. Hoje muita coisa mudou e realmente é muito bom ver que chegamos na bancada para ficar”, conta a torcedora.

Essa visão também é compartilhada pela empresária Áurea Diniz, 42 anos, torcedora do Remo. “Hoje em dia a porcentagem do público feminino é superior ao tempo que minha mãe frequentava o estádio e isso me deixa muito feliz. Estamos conquistando nosso espaço cada vez mais, antes o medo de preconceito e violência era muito grande. As Azulindas ultrapassaram as barreiras para dizer a todos que o nosso lugar delas é no estádio”, enfatiza a remista.

O encontro com essa torcida aconteceu há oitos anos, quando Áurea ia com as filhas para ver os jogos. “O amor pelo Remo é herdado da minha mãe. Desde pequena, era toda aquela preparação depois que ela chegava do trabalho e nos arrumávamos para juntos, eu e meus dois irmãos, sairmos rumo ao Mangueirão. E com minhas filhas não foi diferente, a tradição em dias de jogos continuou e foi num desses jogos que encontrei as Azulindas”, recorda áurea.

Filha de um pai árbitro amador de futebol, a farmacêutica Bárbara Loiola, 29 anos, se apaixonou pelos gramados e atualmente é árbitra assistente. “Meu pai era arbitro de futebol amador e esse foi meu primeiro contato com este mundo. Comecei em 2008 quando entrei no quadro de formação e em 2012 entrei no quadro da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, em 2019 e no quadro internacional este ano. Nossa luta é constante, pois temos que mostrar que somos tão competentes quanto os homens por ser um ambiente tão masculino e hoje eu represento o nosso estado a nível internacional, como mulher na arbitragem”, disse Bárbara.

Em 2019, com o apoio da Secretaria de Esporte e Lazer (Seel), 133 mulheres atletas participaram de competições estaduais, nacionais e internacionais, em muitos casos, trazendo vitórias importantes para o estado.

Lorena Jacob, de 43 anos, começou a remar em 2008 e passou a competir nacionalmente em 2010 e ser incluída nos rankings brasileiros.  Em 2019 teve seu maior feito, se tornou a primeira mulher paraense a ser convocada para um mundial de canoagem oceânica que ocorreu na França, em setembro. “Com o apoio da Seel, me tornei a oitava do mundo em minha categoria”, ressaltou a canoísta.

Segundo informações do setor de Planejamento da Secretaria, neste primeiro trimestre de 2020, o órgão já apoiou 30 esportistas das mais diversas modalidades como, por exemplo, a jogadora de boliche Dayse Silva, que conquistou o título de campeã na 40ª Taça São Paulo Clubes, realizada no final de janeiro em Guarulhos, São Paulo.

 

 

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