Seleção de handebol faz ação ecológica no Mangueirinho

A seleção brasileira de handebol feminino fez ontem de manhã, na Arena Guilherme Paraense, o “Mangueirinho”, o último treinamento visando a sua estreia no II Torneio Quatro Nações contra Cuba, nesta quinta-feira, dia 1°, a partir das 18h45. Mas, antes do treinamento, as jogadoras da seleção protagonizaram um simbólico ato ecológico na área do entorno do Mangueirinho. Elas participaram do plantio de uma muda de açaí, fruta típica e muito famosa na região Norte. Além das atletas e de membros da comissão técnica, também estiveram presentes no plantio o Secretário de Comunicação do Estado, Daniel Nardin; a diretora do Mangueirão e do Mangueirinho, Cláudia Moura; a presidente da Federação de Handebol do Estado do Pará (Fhepa), Lúcia Martins; e o presidente da Confederação Brasileira de Handebol, Manoel Oliveira.

O pé de açaí foi plantado pelas mãos da armadora Duda, a mais experiente do grupo, e por Bruna, a caçula da seleção. Para Daniel Nardin, é uma satisfação para o governo abrir as portas do Mangueirinho para a sua primeira competição oficial. “O Mangueirinho esta aí não só para receber vocês e grandes eventos, mas também para inspirar histórias, sabendo que vocês servem de exemplo para muitas crianças”. Cláudia Moura afirmou que o plantio do açaí representa a intenção do Estado em receber mais vezes a seleção de handebol: “Como dizem, ‘chegou no Pará, parou. Tomou açaí, ficou’. Plantando esse pé de açaí, nós estamos mostrando que o povo do Pará quer ver mais vezes a seleção de handebol aqui, conosco.” Já Lúcia Martins afirmou que outros torneios de handebol podem ser realizados no Mangueirinho em 2017: “A federação vem trabalhando junto à confederação há algum tempo, e a gente vem amarrando algumas ações. Assim como tivemos esse torneio aqui, o Pan-Americano é um sonho que pode se tornar real.” Manoel Oliveira confirmou a informação: “Esse torneio em Belém será apenas o primeiro de muitos. Já pensamos no próximo Pan-Americano aqui. Ele servirá como seletiva para o campeonato mundial. O que nos despertou para essa ideia é a qualidade da arena, que com certeza está entre as melhores do Brasil”, afirmou.

Para Duda Amorim, que aos 30 anos já foi campeã mundial em 2013 e considerada a melhor jogadora do mundo em 2014, a seleção brasileira de handebol pode inspirar jovens à prática esportiva: “Não sabíamos que plantaríamos o açaí, que eu sei que aqui é um fruto símbolo. Somos acostumados a comer ele feito doce, com frutas, leite condensado, o que aqui é uma ofensa (brincou a atleta). Eu gostei bastante. Este ato simbólico é muito interessante, principalmente por ser o açaí. Eu sei do nosso papel aqui, que assim como esse ginásio, é de inspirar as pessoas a começarem algum esporte. A gente está em uma fase de renovação, não estamos preocupados com o resultado, porque ainda não é o momento. A nossa equipe é realmente muito nova, vamos passar por bastante dificuldade, mas é um processo normal de troca de geração.”

Nas arquibancadas da Arena, muita vibração durante o treino da seleção brasileira. Torcedores, em sua maioria jovens e crianças, acompanhavam atentamente cada movimento das jogadoras. Para Luiza Furtado, de 12 anos, que há um ano joga handebol no time de sua escola, a Nossa Senhora de Lourdes, em Icoaraci, ver as atletas da seleção brasileira tão de perto é um sonho realizado. “Serve de inspiração e isso acontecendo em nosso Estado é o melhor. Porque a gente não poderia se deslocar tão facilmente para outro estado para ver elas. Então, isso está sendo maravilhoso porque elas estão bem perto, pra gente poder ter uma base para saber como fazer isso. A nossa expectativa é só de vitória delas e elas são lindas pessoalmente. A minha favorita é a Babi.”

Patrícia Furtado, 51 anos, mãe de Luiza, destacou a importância social do esporte: “É muito importante este incentivo ao esporte. Porque direcionando as crianças pra uma atividade física, direcionando um objetivo a um esporte, seja ele qual for, o handebol no nosso caso, ou o vôlei, o basquete, eles vão estar mais ocupados com isso e menos na droga, menos na violência. Isso pra nós está sendo muito importante mesmo.”

Um público especial também marcou presença na arquibancada do Mangueirinho. Meninas de equipes de handebol dos municípios de Breves e de Rondon do Pará pareciam não acreditar que estavam ali, tão perto das jogadoras da seleção. Na verdade, elas haviam sido convidadas para participar de um jogo em Belém. Mas era uma espécie de “pegadinha do bem”. Sem saber, elas foram levadas para assistir ao treino da seleção e, em seguida, puderam entrar em quadra para bater bola com seus ídolos. Como se não bastasse, ainda puderam tirar selfies e pegar autógrafos com estrelas do esporte, como Dara Diniz, ex-capitã da seleção brasileira e a primeira fonte de inspiração para muitas delas. Ali, ninguém mais nem lembrava que tinham acabado de enfrentar viagem de 9 horas de ônibus, de Rondon a Belém, ou de 12 horas no barco que veio de Breves.

“Pra gente é muito importante estar aqui, porque é uma oportunidade única, a gente nunca imaginou que poderíamos ver a seleção brasileira, tanto pelas condições financeiras da gente, como pelas dificuldades, horas de viagens. Durante o ano a gente passa por muitas dificuldades tanto em treino, dificuldades com tudo. Então essa oportunidade de estar vendo a seleção é um sonho, pra gente se espelhar e buscar inspiração. Muitas de nós sonham em estar no lugar delas um dia, a gente treina pra isso, né. Amanhã, vamos ver os jogos e a expectativa está muito grande para que a seleção ganhe, porque o time do Brasil é bom e estamos torcendo muito para que elas possam ganhar”, disse Alana Guimarães, atleta de Rondon.

Ana Cláudia, técnica do time de Breves, afirma que o handebol já virou uma chance de uma vida nova para suas atletas: “Treino as meninas desde 2009, o trabalho começou porque as meninas estavam em grupos muitos vulneráveis no município e para buscar uma maior valorização delas... Já tivemos várias meninas que passaram pelo projeto e hoje estão fazendo faculdade, se formaram, e tem meninas que estão terminando o ensino médio e também crianças de nove e dez anos. Trabalhamos veiculados a uma escola, que cede o espaço para os treinos e essa escola foi vice  campeã em 2014, campeã em  2015 e bicampeã em 2016 nos Jogos Escolares Paraenses. Este ano fomos também para os Jogos Escolares da Juventude em João Pessoa (PB). Então o trabalho busca, através do handebol, motivação para que essas meninas continuem buscando as suas potencialidades, a sua importância na sociedade. Então a gente trabalha o esporte, mas buscando também o papel delas na sociedade, principalmente para que elas possam se firmar dentro da sociedade. A importância desse evento para elas é ímpar.  Pra mim, que já estou há 25 anos na profissão. é muito diferente, até porque algumas têm pretensão de subir na vida. E a gente espera que alguma realize isso”.

Dara Diniz, ex-capitã da seleção brasileira, retribuiu o carinho da torcida: “Primeiramente estou muito feliz pela recepção que a gente teve aqui, eu cheguei ontem e fiquei muito surpresa com o carinho das pessoas. Eu não conhecia Belém, é a primeira cidade do Norte que eu conheço. A minha referência de Belém é a Meg Montão, com quem eu comecei a jogar handebol há muitos anos atrás. O que eu sabia de Belém foi através dela. E chegar aqui e ver que tudo que ela falava de Belém, as pessoas e o carinho, é tudo verdade. Fiquei muito feliz. Para a seleção brasileira, ter a oportunidade de vir pra cá e receber isso é muito importante. Aqui é bem diferente da Europa, o calor humano é uma coisa que só tem aqui no Brasil. E no Norte e no Nordeste é mais forte ainda, conseguimos sentir. A gente se alimenta muito disso, dessa energia do nosso povo.” A qualidade do Mangueirinho também surpreendeu a ex-jogadora: “Poder jogar nessa estrutura, com um ginásio desse porte é muito bom. Não sabia que no Brasil tinha um ginásio com essa beleza e estrutura. É muito bom e é sinal que o nosso esporte tem um futuro brilhante. Fui embaixadora dos Jogos Escolares, em setembro em João Pessoa, onde tive oportunidade de conhecer umas meninas que estão aqui hoje. E chegar aqui e receber este carinho de novo é muito gratificante é o que realmente faz honrar e vestir esta camisa há tantos anos”, disse Dara.

Foto: Antonio Darwich / Ascom Seel