Rio 2016: Pará chega com promessa de medalhas nas Olimpíadas

Faltam pouco mais de 100 dias para o início das Olimpíadas Rio 2016, que ocorrem de 5 a 21 de agosto, pela primeira vez em solo brasileiro. A esperança em torno dos paraenses que poderão estar na disputa pelas medalhas aumenta ainda mais. Pelo menos dez atletas podem representar o Pará nas diversas modalidades do evento esportivo (incluindo as Paralimpíadas), dependendo dos resultados das últimas seletivas que ocorrem neste primeiro semestre.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), tem investido em atletas locais com o Programa Bolsa Talento, exercendo o papel de maior incentivador na política pública de esporte e lazer. “Certamente o Pará terá muitos nomes e campeões nestas Olimpíadas, e estes se tornarão ídolos e referências para que outras crianças e jovens entendam que por meio do esporte é possível mudar a condição social, econômica e de cidadania de qualquer pessoa”, diz a titular da Seel, Renilce Nicodemos.

Dedicação

Dentre as apostas do Pará está o atleta Ian Matos, 26 anos, nascido em Belém, que atualmente integra a Seleção Brasileira de Saltos Ornamentais. As principais conquistas da carreira são as medalhas de bronze na modalidade salto ornamental/ trampolim de 3 metros, nos Jogos Sul-Americanos de Medellín (2010); e bronze na etapa dos Estados Unidos do circuito mundial de saltos ornamentais (2012). Ian é três vezes campeão brasileiro adulto na prova do trampolim de um metro.

Ian iniciou a trajetória atlética aos 11 anos, no extinto projeto Papo-Cabeça, do Governo do Estado, coordenado pela Seel, o qual foi substituído pelo atual Talentos Esportivos, que treina gratuitamente crianças a partir dos 6 anos de idade até chegarem à idade adulta. As atividades ocorrem no Ginásio de Educação Física da Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Até 2007, Ian foi treinado pelo técnico paraense Beto Rufeil, que foi um dos primeiros a reconhecer o talento do atleta para grandes competições. “O Ian sempre foi muito obstinado. Com garra e os treinos que ele recebeu aqui no Ginásio da Uepa, conseguiu chegar hoje onde está”, diz. “Graças a atletas como ele, temos potencial para enviar muitos outros talentos para serem reconhecidos pelo mundo”, afirma o treinador.

Ian Matos precisa vencer só mais uma competição para garantir a vaga nas Olimpíadas 2016. “Se eu vencer o troféu Brasil, em maio, serei o primeiro paraense a disputar uma olimpíada na minha modalidade. Estou bastante confiante. Independentemente da colocação, porém, espero fazer o meu melhor e honrar minhas raízes marajoaras”, afirma.

Promessa

Mais uma aposta para as Olimpíadas Rio 2016 é o belenense Danilo Pimentel, 30 anos, que faz parte da Seleção Brasileira de Triatlo. Atualmente ele vive em Rio Maior (Portugal), no centro de alto rendimento do Projeto Rio 2016. Em 2012 ganhou medalha de bronze na Copa Pan-Americana e em 2014 conquistou a terceira colocaçção na Continental Cup Agadir (Marrocos) e Challeng Brasil.

A mãe de Danilo, a advogada Maura Pimentel, conta que o filho abriu mão de muita coisa para se dedicar ao esporte, até mesmo da faculdade de Direito, mas recebeu o apoio da família. “Foi uma decisão difícil na época para todos nós, mas demos o nosso apoio porque é isso que ele ama fazer. Hoje meu filho está feliz na área que escolheu e tem trazido orgulho para todos nós. Acredito que a trajetória dele no triatlo vai entrar para a história, não somente do Pará, mas do nosso Brasil”, aposta.

Para garantir a vaga olímpica, Danilo precisa vencer a próxima seletiva, na Austrália. “Estamos todos esperançosos de que o Danilo vencerá esta última etapa e participará das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Ele está bastante focado, pois uma medalha olímpica é o sonho de qualquer atleta”, completa Maura Pimentel.

Paralimpíadas

As Paralimpíadas serão disputadas no período de 7 a 18 de setembro, também no Rio de Janeiro. No basquetebol em cadeira de rodas, o Pará conta com cinco atletas escaladas, todas elas do Clube dos Deficientes Físicos do Pará (All Star Rodas). O treinador e fundador do clube é o paraense Wilson Caju, que já foi técnico da seleção brasileira de basquetebol para cadeirantes durante 13 anos. “Estamos confiantes nas nossas atletas paraenses. Elas têm total condição de vencer nestas paralimpíadas, que têm a singularidade de serem no nosso país”, disse.

A paratleta Perla Assunção, 30 anos, é jogadora de basquete há seis anos. Ela está na seleção brasileira desde 2012, e em 2014 ganhou o Troféu Rômulo Maiorana, além de ser eleita a melhor atleta paralímpica de basquetebol do Brasil. “Minha estreia foi nas paralimpíadas de Londres. Já participei da Copa América, Campeonato Sul-Americano e Jogos Parapan-Americanos, no Canadá. Nenhum deles, porém, se compara a jogar no meu país. Sinto-me realizada na minha carreira”, declara.

Para Lucicleia Costa, 35 anos, há 16 anos no basquete em cadeira de rodas, jogar nas paralimpíadas é a realização do maior sonho. “É uma responsabilidade muito grande. O Brasil inteiro está na torcida. Independente da premiação, darei o meu melhor”, afirma.

Texto: Thays Del Rosario / Secretaria de Estado de Comunicação