Paraense fica entre as dez melhores no mundial de surf

A surfista paraense Deise Silva, de 18 anos, do município de Salinópolis, ficou entre as 10 melhores do mundo no Campeonato Mundial Júnior da International Surfing Association (ISA). A competição da categoria amador júnior foi disputada em Açores, em Portugal, entre os dias 17 e 25 de setembro. O treinador de Deise e presidente da Fepasurf (Federação Paraense de Surf), Noélio Sobrinho, teve as suas passagens para Portugal custeadas pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer do Pará (Seel). Hoje (28/09), a participação histórica da atleta é comemorada com muita festa em Salinas, com direito até a desfile em carro de Bombeiros pelas ruas da cidade a partir das 16 horas.

Salinópolis festeja conquista de Deise Silva com desfile em carro de Bombeiros

Deise avançou até as oitavas de final sub-18 e, como ficou em terceiro lugar em sua bateria, não conseguiu chegar nas quartas de final. Mas a sua pontuação foi uma das dez melhores do campeonato. “Na minha bateria, nas oitavas, veio uma onda muito grande e eu tentei uma manobra forte, arriscada, mas não consegui completar”, detalhou Deise, em visita à Seel. “Agradeço a Deus e a minha família por esta minha conquista no campeonato.”

Delegações dos países participantes durante cerimônia do Mundial Júnior da ISA

Devido a sua participação no Mundial Júnior da ISA, Deise foi convidada para competir junto com a elite do surf mundial no Desafio Internacional do Japão, em janeiro de 2017. Antes, em novembro, ela vai disputar na Praia do Francês, em Maceió, a quarta e última etapa do Circuito Brasileiro de Surf Amador. O Pará vai participar com seis atletas deste torneio nacional. Com o resultado no Mundial, Deise chega a 2.800 pontos no ranking brasileiro feminino júnior - até 18 anos e aumenta sua vantagem na liderança nacional de sua categoria. O Brasil competiu em Açores com atletas dos Estados do Rio de Janeiro (4), Alagoas (1), Bahia (1), Paraíba (1), Pernambuco (1), Rio Grande do Norte (1) e Deise como a única paraense.

Adalvo Argolo, presidente da CBS (Confederação Brasileira de Surf) à frente da delegação nacional em Portugal

Entre 39 seleções, o Brasil ficou na sexta posição no Mundial Júnior e o melhor resultado do país foi o título Sub 18 conquistado por Wesley Dantas, paulista de Ubatuba. Na classificação geral do campeonato, a França ficou em primeiro lugar, seguida pela Austrália, pelo Havaí (que ainda compete em separado dos Estados Unidos), Japão, e os EUA em quinto lugar.

Olimpíadas - Durante o Mundial Júnior, foi definido o formato do surf para os Jogos Olímpicos. O esporte vai virar modalidade olímpica a partir dos Jogos de Tóquio de 2020 e a ISA Surfing Games, por ser a principal associação de surf do mundo, é a entidade que organiza o esporte junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI). O Japão queria realizar a competição em piscinas, mas foi decidido em reunião que o surf será mesmo disputado no mar durante as Olimpíadas.

A ISA é a única entidade de surf reconhecida pelo COI e também regula outros esportes que “pegam onda”, como  bodyboard , kneeboarding, longboard , tandem surf, skimboard e bodysurfing. Em 1982, o SportAccord , anteriormente denominado Associação Geral de Federações Desportivas Internacionais (Gaisf), reconheceu a ISA como entidade que comanda o surf no mundo. Em 1995, o COI concedeu reconhecimento provisório à entidade. A ISA foi admitida no movimento olímpico em 1997, quando o reconhecimento foi confirmado pelo COI.

O surf será disputado por 20 países nos Jogos Olímpicos. Os líderes do ranking mundial, Brasil, Austrália e Estados, terão direito a inscrever até quatro atletas (dois homens e duas mulheres). Os demais países só poderão competir com dois surfistas.

Pororoca - Também durante a disputa do Mundial Júnior nos Açores, o vice-presidente da ISA e presidente executivo da Alas (Associação Latino Americana de Surfistas Profissionais), Karin Sierralta, se reuniu com Noélio Sobrinho, que também é presidente da Abraspo (Associação Brasileira de Surf na Pororoca) e os dois decidiram pela realização de um evento internacional de surf na pororoca em março de 2017. A competição será disputada no município de Chaves, no arquipélago do Marajó, no Pará, e terá premiação de 20 mil dólares. No local ocorre a onda que é considerada a maior pororoca do mundo, com 4 metros de altura e uma hora e 40 minutos de duração. Uma equipe do Guinness World Records (antigo Guinness Book of Records, lançado em português como Livro Guinness dos Recordes) vai estar no local para registrar tentativas de quebra de recorde mundial de permanência na onda mais longa do mundo, que atualmente pertence ao cearense Adilton Mariano, que surfou a pororoca por 37 minutos e 26 segundos.