Pará reforça apoio ao esporte adaptado

O Estado do Pará se firma como polo de fomento ao esporte adaptado no Brasil. Programas como o ParaDesporto e Bolsa Talento, da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), se destacam como exemplos de apoio à prática esportiva de pessoas com deficiência. Na abertura da etapa final do Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, realizada em Belém no último sábado, dia 12, o presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), Sandro Laina Soares, afirmou que a realização da competição na capital paraense reflete a posição do Estado no apoio ao esporte adaptado: “Belém recebeu o Goalball (em abril deste ano) e agora o GP de Judô para Cegos. Me comove ver o Estado fomentando o esporte paralímpico. Estas ações são um diferencial na vida desses atletas. O esporte paralímpico sempre foi conduzido por trabalhos de abnegados profissionais e atletas sem o apoio da iniciativa privada e com o apoio dos governos. Este ano foi muito importante para o judô para cegos, que conseguiu quatro medalhas de prata nas Paralímpiadas do Rio. O esporte paralímpico brasileiro tem que estar em todo o Brasil e seria um demérito se não tivessem trazido este evento de grande porte para um Estado que tanto incentiva os nossos meninos. Um Estado que formou ídolos do esporte adaptado, como Alan Fonteles, Raifran e Diego”, disse.

Em seu pronunciamento na solenidade de abertura do GP de Judô para Cegos, a Secretária da Seel, Renilce Nicodemos, destacou o trabalho realizado pela Associação Souza Filho de Artes Marciais (Asfam), entidade que organizou o evento promovido pela Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) em parceria com a Associação de Cegos do Pará (Ascepa), Associação Souza Filho de Artes Marciais (Asfam) e Federação Paraense de Judô (Fepaju). Em sua fala, Renilce Nicodemos se referiu ao discurso emocionado feito anteriormente pela presidente da Asfam, Ana Cecília Silva, que chorou ao agradecer a parceria com a Seel: “Hoje, presenciei as lágrimas da Ana Cecília e eu sei que, para ela, vocês não são só atletas e, sim, filhos. Eu sei que a cada dia que passa, ela e sua equipe vêm trabalhando mais para dar o melhor para vocês. Ana, eu não tenho dúvida que hoje é muito especial para você e para todos nós. Eu agradeço muito pelo trabalho que vens fazendo com esses meninos. O teu exemplo é muito importante para a sociedade. A Seel e o NAC (Núcleo de Articulação e Cidadania, do governo do Estado) estão aqui hoje para dizer que nós lutamos com todas as forças para que vocês possam crescer ainda mais, não só no judô, mas em todas as modalidades paradesportivas. E espero que esses e outros eventos, das mais diversas modalidades, possam se realizar aqui no Pará.”

Emocionada, Ana Cecilia Silva, presidente da Asfam, agradeceu em seu discurso o apoio do Governo do Pará. “Queria agradecer às pessoas que acreditaram, principalmente à Renilce, que é a nossa madrinha, que nunca mediu esforços para ajudar o projeto e também os nossos atletas e incentivar o esporte no Estado. E também ao NAC, que sempre nos atende tão bem e nos ajudou a trazer este importante evento para Belém. A equipe do governo é muito competente e eu só tenho a agradecer por tudo, muito obrigada. O trabalho foi muito para fazer um grande evento para todos os atletas aqui presente e eu amo vocês, bom evento para todos”, finalizou a dirigente.

O apoio ao esporte adaptado por parte do Governo do Pará, citado pelo presidente da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), Sandro Laina Soares, vem de iniciativas de incentivo como o programa Bolsa Talento, da Seel, que apoia o esporte de rendimento; além do Paradesporto, que atende e beneficia paratletas do Estado. Segundo o censo do IBGE de 2010, o Pará possui cerca de 1.791.299 de pessoas com deficiência, o que representa 23,63% de sua população total.

Outra ação do Governo do Pará voltada para pessoas com deficiência é o Plano Existir, desenvolvido pelo Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC). “Este Plano representa o apoio ao esporte, à educação, saúde e tecnologia para que esteja sempre a serviço do cidadão. Com isso, nós temos no Pará uma vontade política expressa em ações. Por isso o NAC apoia e incentiva este evento. Cumprimento as entidades que estão apoiando este evento e parabéns, em especial, a todos os atletas que estão aqui para competir e para torcer.  Que vocês continuem influenciando e estimulando o esporte adaptado”, afirmou a coordenadora do Plano Existir, Meive Piacesi.

Williams Araujo, 25 anos, medalhista de prata nas Paralímpiadas de 2016 do Rio de Janeiro, afirma que o esporte o ajudou bastante na inclusão social. “O esporte me deu mais confiança e maior inclusão. O esporte mudou a minha vida, tudo o que eu conquistei na vida, até o momento, foi através do esporte e eu sempre digo que eu não encontrei o esporte e sim, ele que me encontrou aos 15 anos. Foi fator decisivo ter profissionais competentes ao meu lado, como meu sensei Antonio e sensei Luis, que tiveram a sabedoria de identificar em mim o talento. E hoje se estou aqui como medalhista paralímpico foi graças a eles e todo o apoio que recebi dos patrocinadores, do Ministério do Esporte. Graças a esses apoios pude me dedicar totalmente ao judô e ouso dizer que sem eles não teria conseguido”, contou.

O governador Simão Jatene esteve presente na cerimônia de abertura do Grand Prix e, na ocasião, ressaltou a importância de todos terem oportunidade para realizar seus sonhos: “Uma sociedade é tão ou mais moderna quanto mais garante e cria condições para o desenvolvimento de todos, pois independente de qualquer situação, todos merecem a oportunidade de crescer e tornar os seus sonhos reais. É nisso que o governo investe para que todos possam ter uma sociedade cada vez mais justa, igualitária e feliz. O que temos hoje aqui é um resultado desta oportunidade”, disse.