Kitesurf anima verão de Fortalezinha

A praia de Fortalezinha, que pertence à jurisdição do município de Maracanã, região Nordeste do Pará, se transformou no ponto dos praticantes do Kitesurfe neste segundo final de semana da programação especial de verão da Secretaria de Esporte e Lazer (Seel). Mais de quarenta velejadores fizeram manobras nas águas e coloriram o céu com pipas gigantes que têm diâmetros a partir de sete metros de extensão. O evento tinha a finalidade de agregar valor ao potencial turístico de Fortalezinha, que juntamente com Algodoal, Mocooca e praias desabitadas formam a ilha de “Maiandeua”, que na linguagem Tupi-Guarani significa “Mãe da Terra”. A ilha é uma reserva ambiental, por isso, os moradores precisam optar por outros meios econômicos para manter a família e cumprir a lei. O turismo é a alternativa mais viável.

“Nós estamos incentivando a prática de kitesurfe aqui como espécie de abre-alas, um cartão postal de divulgação e atração do fluxo turístico”, disse Humberto Teixeira, presidente da Federação de Surf Paraense, que dividiu com Carlos Pimentel, presidente da Associação Paraense de Kitesurfe, a responsabilidade de realizar o evento denominado de 1ª Regata de Kitesurfe no local. A ação não teve caráter competitivo, mas de lazer, troca de informações entre os praticantes e exercícios para aprimorar as manobras e se deliciar com o ambiente formado por água, sol e um céu azul digno de contemplação e de agradar os visitantes mais exigentes. Mais de quarenta velejadores do Pará, Piauí, Ceará e Amapá marcaram presença no evento. No final das baterias houve premiação especial para os melhores colocados.

Esporte – O kitesurfe é uma modalidade esportiva que exige técnica, coragem, confiança e muito dinheiro. Entre o curso de preparação, compra de equipamentos e outras logísticas, o velejador vai gastar mais de R$ 10 mil. Segundo Jeferson Ereiro, 42, o kite, assim eles preferem chamar a modalidade, tem mais de trezentos praticantes em todo o Pará e devido à diversidade de praias se torna difícil concentrar todo mundo no mesmo lugar. Ereiro é conhecido no grupo como “Dr. Kite” por ministrar aulas e manter uma oficina de conserto das pipas. Ele conta que, apesar das dificuldades, consegue manter a atividade. “Eu vivo do Kite, larguei tudo para me dedicar a esse esporte, pelo qual sou apaixonado”, conta.

Ereiro conta ainda que, aprendeu tudo sozinho, que sofreu um acidente e que ficou um tempo sem andar, mas devido à força de vontade conseguiu voltar ao esporte e hoje é um dos nomes mais atuantes entre os velejadores. Ele ensina que para ser um bom velejador não basta ter dinheiro, tem que ser confiante e corajoso, pois uma manobra errada pode até causar a morte do praticante. Por ouro lado, o kite tem seu lado confiável. A pipa, por exemplo, segundo Jeferson Ereiro, funciona como uma espécie de jangada, caso o velejador necessite. “Por isso, tem que saber manter a calma e aproveitar o que o equipamento tem de recurso para salvar sua vida”, ensina.

A beleza do esporte chama atenção e quem pratica não mede esforços para alcançar praias distantes, com ventos fortes e um mar aberto. E Fortalezinha tem tudo isso. A temperatura da água, vento e maré, desse final de semana, favoreceu muito à prática do esporte. O evento animou muito quem estava na praia passeando com a família. Segundo Humberto Teixeira, a parceria com a Seel foi muito importante para realização do evento. “Precisamos muito de incentivo como este, por isso quero agradecer a secretária Renilce Nicodemos pela confiança depositada no nosso grupo de trabalho”, disse.