Judocas da Asfam colhem frutos de suas conquistas

Os judocas da Asfam (Associação Souza Filho de Artes Marciais) colhem os frutos de suas recentes participações em competições. No Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, disputado em Belém no último dia 12, todos os 17 atletas da categoria iniciante atletas conquistaram medalhas. Na categoria Adulto,  dos quatro judocas, três subiram ao pódio: Ubiratan Souza, de Benevides, conquistou a medalha de bronze; Mequias Nascimento, de Acará, conseguiu a prata; e Nazaré Pinheiro foi bronze.

Das 35 delegações que disputaram o Grand Prix nacional, a equipe da Asfan ficou em oitavo lugar na categoria adulto e na terceira colocação geral do campeonato. “O resultado foi uma conquista do Estado, porque nós convidamos várias associações de cegos para levar seus atletas para treinar na Asfam para o Grand Prix. Foi o pessoal do Ueejaa, da Ascepa, que competiram por suas agremiações, mas se prepararam na Asfam”, afirma Ana Cecilia Silva, presidente da Asfam.

Antes do Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, três judocas da Asfam representaram o Pará na disputa da Taça Paraná de Judô para Todos, que foi realizada de 28 a 30 de outubro, em Maringá (PR), no ginásio Maringá Parque. Todos os judocas do Pará conquistaram medalhas na competição: o peso médio Ytalo Paulo Silva, de 20 anos, conquistou medalha de bronze; o peso pesado Leonardo Klever Baena, de 17 anos, conseguiu a prata e o peso leve Cleiton Miguel, de 14 anos, trouxe a medalha de ouro.

O técnico da Seleção Brasileira de Judô Para Todos gostou muito do desempenho dos paraenses e disse que eles poderão ser convocados para uma competição internacional na Itália.  A modalidade foi criada com a intenção de promover a inclusão de pessoas com deficiência no judô e reúne atletas com diversos tipos de deficiências físicas e intelectuais, como amputações, síndrome de down, síndrome x-frágil, surdez e cegueira.

A competição em Maringá fez parte da Semana do Judoca Maringá Park. O evento contou com uma programação para judocas com deficiência. Houve bate papo com atletas e familiares da Seleção Brasileira de Judô para Todos além do torneio. Aproximadamente 100 pessoas participaram do bate papo. A conversa foi voltada a troca de experiências entre os familiares, onde cada um pôde compartilhar um pouco das suas conquistas e dificuldades vividas até hoje.

A Taça Paraná de Judô para Todos e o bate papo contaram com a participação de 23 judocas com algum tipo de deficiência de seis Estados: Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A Semana do Judoca Maringá Park teve como objetivo também comemorar o Dia Mundial do Judô, 28 de outubro.

Segundo Ana Cecilia Silva, presidente da Asfam, a prática esportiva é muitas vezes fundamental para a vida das pessoas com deficiência: “Muitos encontraram uma razão para viver no esporte. Tem um rapaz que perdeu a visão este ano. A mãe dele levou ele para a Asfam, para treinar judô, e foi onde ele encontrou de novo a vontade de viver.”

Ela também afirma que a participação de atletas com deficiência em competições também é uma forma de estimular a socialização: “Antes só tinha aquele negócio dos atletas irem para a Asfam ou para a Apae treinar. Quando eles vão competir, fazem coisas que todo jovem da idade deles fazem, ficam muito unidos. Depois que voltaram do Paraná, pedi para os pais não deixarem essa amizade morrer. Na chegada no aeroporto, se abraçaram e choraram porque não queriam se separar. Lá, eles também se integraram e conversaram, trocaram experiências com os jovens de outros Estados, puderam aprender muito. Aqui, no Grand Prix, as famílias puderam assistir eles competirem pela primeira vez. A primeira coisa, o principal do esporte é tirar o deficiente de dentro de casa, o resultado em uma competição é consequência. Temos um aluno de 36 anos e no Grand Prix foi a primeira vez q ele dormiu fora de casa e tava feliz da vida. Todos os que competiram ficaram hospedados em um hotel. Na casa dele, pra comer, a mãe dá na boca. Mas lá ele teve que se virar e adorou.”