Jogos mundiais indígenas terão participação de etnias paraenses

Quatro etnias paraenses vão participar da primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), com início das atividades marcado para esta terça-feira (20) em Palmas, no Tocantins. A competição vai reunir mais de dois mil atletas representantes de 24 povos nacionais e 24 de outros países, a exemplo do México, que enviará 50 integrantes de 44 etnias. Serão 12 dias de competição e de confraternização de culturas.

O Pará tem tradição em esportes indígenas. Todos os anos, o governo do Estado promove os Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, que mostra a força, habilidade, integração e a luta para manter viva a identidade dos povos tradicionais, além de estimular o respeito entre os povos de diferentes culturas.

Os jogos mundiais indígenas vão além do esporte, promovem também o intercâmbio cultural entre os os participantes. “Será uma oportunidade não só de rever os parentes indígenas de outros estados do Brasil, como de poder mais uma vez competir e mostrar nossas modalidades, além da trocar experiências no âmbito da cultura, rituais, cantos e danças com povos de todo o mundo", diz a coordenadora dos Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, Ana Júlia Chermont.

Serão representantes paraenses as etnias Assurini do Tocantins, de Tucuruí; Gavião Kyikatêjê e Gavião Parkatêjê, que vivem na terra indígena Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins; os Wai-Wai do município de Oriximiná; e os Kayapo Mebêngokrê, do município de Tucumã, sudeste do Pará. Eles competirão em grande parte das modalidades como, canoagem, corrida de rua, natação, arco e flecha, tiro de lança, corrida com tora, futebol masculino e feminino, além de jogos de demonstração.

A competição será também um momento de levantar a bandeira do esporte indígena paraense. "Como grandes guerreiros que são, sei que eles vão competir com muita garra e determinação, pois já estão se preparando já alguns meses nas modalidades que fazem parte de  seus rituais. O importante não é competir, mas sim celebrar", finalizou Ana Júlia Chermont.

As etnias participantes do Jogos Mundiais dos Povos Indígenas foram selecionadas pelo Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC), que observou nas edições nacionais critérios como idioma, crenças, ritos, pinturas corporais, músicas e os esportes praticados pelos índios. A principal estrutura para a prática das modalidades é a Arena Verde, que concentrará grande parte das modalidades e tem capacidade para cerca de 10 mil pessoas.

Texto: Tatiane Dias / Secretaria de Estado de Comunicação