Jogos Abertos do Pará mostram crescimento do basquete na Ilha do Marajó

Os Jogos Abertos do Pará (Joapa) têm vários legados. O principal deles é a prática esportiva. Na região do Marajó, conhecida pela distância geográfica entre as cidades, o evento despertou o interesse de jovens e professores de educação física em trocar experiências e criar times de basquete dentro das escolas e depois levá-los para as disputas fora ou dentro do eixo marajoara. A partir de 2005, quando começaram os Jogos Abertos, os grupos se formaram e ganharam força em quatro municípios: Soure, Breves, Ponta de Pedras e Portel.

O resultado é significativo para quem vê e para quem joga. Nem os acessórios, tênis e uniformes são esquecidos. Os ídolos dos atletas são Varejão, Leandrinho e Nenê, que disputam a Liga Amarica de Basquete. “É claro que Hortência e Oscar abriram caminhos, mostraram o basquete brasileiro para o mundo, mas essa geração não viveu isso, no entanto, tem seus ídolos”, disse o ex-jogador Luiz Martins, técnico da seleção de basquete de Breves.

Nesta versão do Joapa, quatro equipes estão em quadra disputando quem é o melhor da fase regional do Marajó. Todos querem apresentar o resultado do trabalho que vem se aprimorando. A maioria das equipes troca ideias e faz intercâmbio com profissionais de Belém e de outros centros do País. O certo é que a prática da modalidade está em crescimento. Em Breves, são 86, entre garotos e garotas que invadem as quadras. “Nosso referencial é a escola. Treinamos e aprendemos tudo dentro da escola”, garante o ex-jogador.

Em Portel, o basquete também surpreende. Os atletas têm porte físico e bom ritmo de jogo em quadra. Segundo Lucas Feio, 25, o time de Portel não tem técnico apenas uma pessoa que dá a orientação, mas que não está na cidade por compromisso pessoal. “Estamos disputando do mesmo jeito, pois trocamos informações em grupo e vamos pra quadra jogar e fazer aquilo que a gente sabe”, disse o atleta, que confirma o legado dos Jogos Abertos na decisão de jogar basquete. “A gente queria muito, até que o basquete entrou como modalidade do Joapa e montamos o time de Portel nesta mesma quadra da escola Nicais Ribeiro”, disse o rapaz.

Jogos – O resultado do esforço dos professores já pode ser visto em quadra. Na manhã desta sexta-feira (14), a rodada do basquete apresentou disputa entre Portel e Ponta de Pedras e Breves e Soure. No primeiro jogo, Portel venceu a partida com placar de 36 a 19, e Breves ganhou Soure com placar de 51 a 07, mostrando superioridade de uma equipe que vem treinando e se preparando para vencer a regional do Marajó. A coordenação do evento lembra que os campeões das etapas regionais ficam automaticamente classificados para à fase final que será realizada em Belém, no mês de outubro.

Ainda na manhã desta sexta-feira (14), foram disputadas partidas de futebol de areia, com vitória de Portel sobre Melgaço. O jogo terminou empatado em 1 a 1 no tempo normal e foi decidido nos pênaltis após sete cobranças. Portel venceu por 4 a 3. No voleibol feminino, o Portel venceu Ponta de Pedras, atual campeã do Joana, por 2 a 0 com parciais de 25 a 14 e 25 a 15. O destaque da equipe é a levantadora Rafaela Diniz, de 23 anos. A jovem conta que voltou a jogar há alguns meses após ganhar bebê que está com sete meses. “Estou feliz por voltar a jogar, mesmo após ter tido meu filho”. 

Os jogos Abertos do Pará são promovidos pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Sele). A quarta fase ocorre em Portel, na ilha de Marajó. A solenidade de abertura foi na noite da última quinta-feira (13), no ginásio municipal. A programação destacou o desfile das delegações e apresentações culturais. 

Segundo o prefeito Paulo Ferreira (sem partido), os jogos deixam a cidade motivada, com interesse em ampliar as ações públicas voltadas à prática de esporte e lazer. Em parceria com a Seel, o prefeito quer instalar o núcleo do projeto Pará Aquático, de prática de canoagem, aproveitando o perfil da cidade, que é banhada pelo rio Pacajá.