Handebol cresce pelo interior e já tem nomes na Seleção Brasileira

O handebol caiu no gosto dos atletas paraenses. O título mundial obtido pela Seleção Brasileira Feminina no ano passado abriu caminho para o crescimento da modalidade pelo Brasil. No Pará, segundo a professora Lúcia Martins, presidente da Federação Paraense de Handebol e árbitra na programação dos Jogos Abertos do Pará, o projeto de interiorização da modalidade é o maior responsável pelo atual quadro de êxitos.

Para se ter uma ideia do avanço, 31 equipes disputam o campeonato paraense, que também é feito por polos regionais, igualmente aos Jogos Abertos do Pará. “Estamos em fase de ascensão. Acredito que, superado o sucesso do futebol, do voleibol, agora chegou a vez do handebol”, estima a professora, que embarca para Uberaba (MG), no próximo dia 8, para acompanhar como convidada o campeonato mundial júnior da modalidade.

Motivos para acreditar nesse sucesso não faltam. Dois jovens atletas paraenses estão na Seleção Brasileira de Handebol. Um deles é Rogério Morais, 20, natural da cidade de Abaetetuba, no Baixo Tocantins. “Rogerão”, como é conhecido, vai jogar o mundial júnior em Uberaba pela seleção brasileira. O outro atleta é Marcos Vinicius, de Tailândia, nordeste paraense, que integra a seleção brasileira juvenil de handebol.

Vale lembrar que o talento de “Rogerão” foi revelado pelos Jogos Abertos do ano passado. O atleta defendeu sua cidade e, em seguida, foi para o time do FAB/ Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, e mais recentemente foi contratado pelo Kieel, o melhor time de handebol da Alemanha.

Interiorização – O sucesso do handebol paraense tem o mérito pessoal dos atletas, mas também deve muito ao trabalho desenvolvido pela federação, que apostou na organização das equipes pelo interior e intensificou a prática da modalidade nas escolas. O esporte tem custo baixo e pode ser praticado em quadras comuns das escolas públicas ou particulares. Além disso, as regras são de fácil assimilação. O campeonato paraense é termômetro. Segundo Lúcia Martins, o nível das equipes tem crescido em qualidade técnica dando muito equilíbrio às disputas.

Durante os Jogos Abertos, as partidas de handebol recebem atenção especial. As equipes masculina e feminina patrocinam verdadeiras batalhas em quadra. A jogadora Tania Lopes, 20, de Parauapebas, quer deixar a competição como artilheira, apesar de estar preparada somente com “80%” do potencial. “Eu estava machucada, mas consegui me recuperar antes dos jogos. Estou adorando a competição”, disse ela, que em poucos minutos do jogo já havia marcado quatro gols contra o time de Marabá, anfitrião do evento.

Outra atleta representante dessa fase nova do handebol paraense é Taisa Rabelo, 28, professora de biologia. “Pratico handebol há anos e estou feliz por essa nova fase do esporte no Brasil”, comenta Taisa, que é jogadora da seleção de Marabá.

Para os treinadores das equipes de handebol nos Jogos Abertos, a boa fase não poderia ser melhor, pois incentiva os estudantes dentro e fora da escola. O professor Karlos Sasso, das equipes masculina e feminina de Marabá, confirma que o handebol ganhou sua vez com advento do título brasileiro e o próprio gosto dos estudantes pela modalidade. O técnico Carlos Lopes, de Parauapebas, diz que a interiorização da modalidade somou pontos importantes para esse novo cenário.

Até o fim dos Jogos Abertos do Pará, promovidos pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), a coordenação, professores e treinadores esperam o surgimento de novos nomes para compor a Seleção Brasileira. “Queremos deixar cada cidade com a certeza do dever cumprido e do legado sócio-esportivo que só uma programação como os Jogos Abertos pode oferecer à comunidade paraense”, diz o professor Ewerton Souza, coordenador geral do evento.