Governador pede união pela paz durante asssinatura de contrato do Parazão 2017

A Federação Paraense de Futebol e o Governo do Estado, por meio da Casa Civil, Banco do Estado do Pará (Banpará), Secretaria de Esporte e Lazer (Seel) e Rede Cultura, participaram hoje (20/01) de manhã da cerimônia de assinatura oficial de contrato entre os 10 clubes participantes do Campeonato Paraense de Futebol Banpará 2017 e o Executivo Estadual. De acordo com o contrato firmado, o governo estadual vai garantir mais de R$ 6 milhões em patrocínio ao campeonato estadual de futebol.

A solenidade aconteceu no auditório do Palácio do Governo, em Belém, com a participação do governador Simão Jatene, da Secretária de Estado de Esporte e Lazer, Renilce Nicodemos; da presidente da Funtelpa, Adelaide Oliveira; de José Megale, chefe da Casa Civil; Adelson Torres, presidente em exercício da Federação Paraense de Futebol; Jorge Antunes, presidente em exercício do Banpará, entre outras autoridades e representantes dos clubes que irão participar da competição.

Apesar da grave crise econômica enfrentada atualmente pelo país, o Governo do Pará vai investir mais de R$ 6 milhões no campeonato. Pelo direito de transmissão exclusiva do evento, que já detém há oito anos, a TV Cultura do Pará vai destinar R$ 2.956.800 como patrocínio. Desse total, 20% serão para premiar os melhores jogadores do campeonato. O primeiro lugar receberá premiação de R$ 224 mil e o segundo colocado, R$ 168 mil. O terceiro vai ganhar R$ 112 mil e o quarto ficará com R$ 56 mil. O Banpará, que manteve o mesmo valor investido no ano passado, será o principal patrocinador deste ano, com R$ 3.400.800. Assim, o campeonato deste ano ganhou o nome de “Parazão Banpará 2017”, ou “Banparazão 2017”, como já foi apelidado por alguns dirigentes. O presidente em exercício do Banpará, Jorge Antunes, destacou a importância do apoio. “Associar a marca do banco a uma paixão estadual é tudo o que uma instituição paraense quer”. O "Parazão Banpará 2017" tem início previsto para o dia 28 de janeiro, começando com a partida entre Paysandu e Castanhal, no Estádio da Curuzu, às 18h30, e término previsto para o dia 7 de maio.

Renilce Nicodemos afirmou que o principal palco da competição, o Estádio Olímpico do Pará (EOP), o “Mangueirão, que é administrado pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), está pronto para receber as partidas do Parazão. O estádio passou no final do ano passado por ampla reforma, ganhando várias melhorias em sua estrutura e no gramado: “Garanto a todos os torcedores e a todos os clubes que o Mangueirão está preparado, o gramado está em primeiríssima qualidade, preparado já para receber o ‘Banparazão”. Os vestiários estão todos com novos mobiliários, para os jogadores poderem se acomodar com uma qualidade muito boa. As catracas estão todas instaladas, os sistemas de monitoramento de segurança estão completamente preparados; os bares estão prontos para receber os torcedores, assim como os banheiros, então é integral. Está pronto, liberado, só aguardando agora para a gente dar o primeiro chute na bola para se iniciar o Banparazão”, afirmou a titular da Seel.

Em seu discurso, o governador afirmou que o verdadeiro patrocinador do Campeonato Paraense é o povo do Estado, através dos impostos que paga: “Eu quero agradecer a cada um paraense, porque o Parazão só pode ser realizado pelo imposto que cada um paga. Eu acho que essa consciência deveria cada vez mais ocupar o coração e a mente das pessoas: o governo não gera dinheiro. O governo gerencia dinheiro da sociedade. Na hora que cada cidadão tiver consciência disso todos os governantes, todos os políticos e todos os servidores tiverem essa consciência, certamente nós teremos dado um passo muito importante na vida da sociedade. Por isso que eu repito sempre isso, quase como um mantra. Alguns que estão financiando este momento e que vão financiar de forma decisiva o campeonato jamais entraram num estádio de futebol. Alguns jamais terão a chance de ir a um estádio. Lamentavelmente, porque a nossa sociedade é também profundamente desigual. E não é por politicagem que eu faço essa fala, não. É por crença, é por convicção. Que muitas vezes quem financia a nossa mesa não tem mesa. E nós vivemos ainda, lamentavelmente, num país que tem esse formato, essa cara. Por isso eu quero agradecer em público e festejar cada um torcedor desse Estado. Que também é uma das razões por estarmos aqui.”

Simão Jatene também destacou em seu pronunciamento que todos os envolvidos na realização da competição são responsáveis por não permitir que a paixão das torcidas se transforme em violência. Para o governador, o Parazão é uma valiosa oportunidade de fazer com que dirigentes e atletas se tornem referências e sejam educadores coletivos da sociedade: “É impossível deixar de perceber que, se tem algo que nos diferencia, é a paixão do torcedor paraense. É algo impressionante. O torcedor é apaixonado e qualquer lugar, mas o nosso torcedor tem uma característica particular especial. É claro que isso não nos compete como governantes, como dirigentes de clube. O que nos compete é ter sempre a serenidade, o cuidado em saber que paixão é uma coisa fantástica, mas é exatamente por ser paixão que não tem limite e a gente precisa ter cuidado de, pedagogicamente, tratar dessa questão. E essa eu acho que é uma missão de cada um de todos nós. A paixão supera limites. Que tenhamos o cuidado de fazer, nestes momentos, dos clubes o que eu chamo de educador coletivo. O que é, através do presidente, através do cuidado, através da fala, através dos atletas, se transformem em símbolos, em signos, sobretudo para a juventude. Acho que podíamos usar mais isso. Porque a questão da violência parece extrapolar todo e qualquer limite humano. Vivemos num país em que a cada dia a televisão nos surpreende com atos que, sem dúvida alguma, chegam à barbárie. Então, cada um de nós, através das suas escolhas, através das suas opções, tem o dever de trabalhar isso. E eu ainda acho que o ser humano procurou a vida inteira, na sua civilização, no seu processo histórico, procurou identificar uma língua capaz de ser falada por todos. E eu sempre digo que nós sempre tivemos duas línguas que são faladas por todos. Uma é o esporte e a outra é a arte. Se você pegar dois músicos que nunca tocaram juntos e os colocar cada um com seus instrumentos, eles vão tocar juntos. Se colocarmos dois atletas que nunca jogaram juntos eles vão conseguir jogar. Então porque é que nós ainda nunca fomos inteligentes o suficiente para utilizar essa linguagem na dimensão que ela tem de tocar o coração e a mente de todos?”

Em conversa com a imprensa após a assinatura oficial, o governador Simão Jatene voltou a clamar pela união de todos os envolvidos na realização da competição, entre órgãos do governo, dirigentes esportivos, atletas, em prol de uma cultura de paz. A preocupação do governador é não deixar que a paixão dos torcedores se transforme em episódios de violência: “Essa aliança entre clubes e governo valoriza algo extremamente importante para nossa cultura, algo que faz parte da nossa história. E todo mundo sabe que se o Pará tem uma coisa que nos diferencia de outros Estados é a paixão de nossa torcida. Ora, se paixão não tem limites, então a gente precisa ter cuidado. Nesse momento em que o país vive, com demonstrações tão dramáticas de violência, de agressividade, então é importante que cada atleta, que termina sendo ídolo para a juventude, que termina sendo um elemento de referência para tantas pessoas, que cada clubes instituições, que cada um de nós possa utilizar de todas as ferramentas possíveis para alertar  o país, para chamar cada um e todas as pessoas para este compromisso que deve ser de todos, que é um compromisso para com toda a sociedade e com o país. Então eu acho que o ‘Banparazão da Paz’ é uma coisa muito positiva e espero que todos possam abraçar esta ideia e que isso seja mais um gol de placa de nosso campeonato.”