Fortes emoções na regata de Marapanim

O dia estava perfeito para uma das mais tradicionais regatas do Pará. Em Marapanim, o sol forte, o vento constante, a maré cheia e um público com mais de 6 mil pessoas formaram no último 22 de agosto o cenário ideal para a 112ª Regata de Nossa Senhora das Vitórias. Cerca de 50 embarcações tomaram conta do rio Marapanim no torneio disputado nas categorias 3x3, 4x4 e canoa cheia. A competição encerrou as comemorações do Círio da santa padroeira do município da região nordeste do Estado e foi realizada com o apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel). 

Texto e fotos: Antonio Darwich (Ascom/Seel-PA)

Pescadores da própria cidade e de municípios como Magalhães Barata, Maracanã, Salinas, Vigia, Curuçá e Bragança, todos da Região do Salgado, participaram do torneio disputado no principal rio do município, que também é banhado pelos rios Paramaú e Mau, além do Oceano Atlântico ao norte, onde desagua o rio Marapanim.

Este ano, o campeão na categoria 3x3 foi o barco Canoa Souza. Em segundo lugar ficou Canoa Cristal e na terceira colocação ficou Deus É Meu Guia. Na categoria 4x4, o barco Canoa Luz Divina levantou o troféu de vencedor. O segundo colocado foi Nova Canaã, seguido por Canoa Lorena. O barco Canoa Aliança foi o campeão da categoria Canoa Cheia. Logo depois chegou o Canoa Turista, seguido de perto por Canoa Madona.

O início da competição segue o horário da maré e, este ano, começou por volta do meio-dia. Com as embarcações posicionadas na cabeceira do trecho do rio em frente a Marapanim, os rojões davam a largada para as baterias de cada categoria. Ao sinal, dos coordenadores do torneio, os barcos enfurnavam suas velas e saíam em corrida até a baliza final, após o cais da cidade, que a esta altura já estava abarrotado de gente. O público esperava ansioso pela chegada de seus barcos favoritos e vibrava com as disputas palmo a palmo que marcaram o final da regata.

Boa parte da torcida não se continha em esperar pelos competidores na borda do cais e embarcava para ver de perto as emoções da disputa desde a largada. O clima entre torcedores e competidores ia muito além de uma disputa esportiva. Era de confraternização por meio de um evento que há muito tempo se tornou uma das principais referências da Região do Salgado.

Nas correntezas ligeiras, os líderes da disputa logo se destacavam e os retardatários que não conseguiam acompanhar o ritmo iam ficando para trás. “Perdiam a maré”, mas não abandonavam o prazer de participar da competição centenária.

E as emoções foram até a última baliza da prova, culminando com a festa dos vencedores nos barcos e até dentro d’água. Durante a cerimônia de premiação, alguns impasses foram resolvidos na base da conversa e da amizade. A competição não se rende à tecnologia e continua sendo arbitrada pela perícia e experiência de juízes, fiscais e competidores, como era há mais de um século.

Em discursos, os coordenadores da regata destacavam a importância do apoio da Seel ao evento. Benito Junior, um dos organizadores, reafirmou o peso do patrocínio da Secretaria: “Sem esse apoio não teríamos condições de fazer uma competição deste nível. Os competidores vêm de toda a Região do Salgado e temos como oferecer uma estrutura à altura para todos que vêm para competir e para prestigiar", disse.

Texto e fotos: Antonio Darwich (Ascom/Seel-PA)