Etnias paraenses fazem apresentação cultural em Palmas

As etnias paraenses foram destaques na programação cultural dos jogos Mundiais indígenas, que estão sendo realizados em Palmas (TO) até o dia 31 deste mês. Os Assurini do Tocantins, Kayapó Gorotire e Gavião se apresentaram na Arena Green, na tarde deste sábado, 23, e animaram o público. Um verdadeiro exército de jornalistas também acompanhou a programação, que encerrou por volta das 22 horas com desfile das candidatas à musa indígena dos Jogos e show pirotécnico.

Neste domingo, 24, o evento segue com disputas de futebol, arco e flecha, corridas de cem metros e canoagem, entre outras modalidades. O coordenador das provas e exibições tradicionais, Carlos Terena, conversou com os jornalistas e disse que os problemas registrados na noite de abertura dos Jogos foram pontuais. “O importante é que estamos aqui reunidos para esta celebração. Os problemas em eventos grandiosos são naturais e precisamos entender e estar preparados para contorná-los”, disse à reportagem da Agência Pará.

O público tem marcado presença na Arena Green, com capacidade para cinco mil pessoas. As filas para entrar no palco dos jogos começam a se formar desde muito cedo. No interior do complexo, o visitante ainda encontra uma feira de artesanato mundial, ações de agricultura familiar indígena, a Oca da Sabedoria, museu com equipamentos digitais, além da praça da alimentação. O show no centro de Arena Green é dos índios. A programação deste sábado reuniu exibições dos povos do México e da Mongólia, além dos paraenses.

Os arqueiros da Mongólia fizeram exibições com arco e flecha, demonstrando extrema habilidade e pontaria com a utilização desses instrumentos, tudo ao som de cânticos nativos para saudar os espíritos. Mas o que chamou a atenção foram as roupas tradicionais usadas por eles, um figurino que contrasta com o calor de mais de 30 graus de Palmas. Homens e mulheres se apresentaram vestidos com uma capa colorida, botas e chapéus nas cores azul, rosa e dourado.

Os mexicanos, que estão numa delegação numerosa, de 70 pessoas, fizeram a exibição do “pelotamixteca”, algo inédito no Brasil. Segundo o chefe da delegação, Salvador Diaz, trata-se de um esporte milenar que utiliza uma bola pequena e luvas pesadas, somando até seis quilos. Dez homens disputam a prova, que segundo a tradição foi resgatada pelos antigos indígenas da etnia Oaxaca, originária do sul do México.

“A descoberta dessa modalidade veio dos sítios arqueológicos. Estamos muito felizes em estar no Brasil pela primeira vez e poder mostrar isso ao público”, informou o chefe da delegação. O colorido das indumentárias e um estandarte com penugem de ganso também despertaram a atenção do público. Os índios paraenses aproveitaram a ocasião para também fazer um intercâmbio. Foi assim com o jovem guerreiro Demoti Kayapó Gorotire, de Cumaru do Norte, que acompanhou atentamente a apresentação. "Achei muito bonito e diferente”, disse o rapaz.

Após as exibições das delegações estrangeiras, chegou a vez das etnias paraenses entrarem na Arena Green. Os primeiros foram os Assurini, do Tocantins, que exibiram a Dança da Onça, segundo as tradições daquele povo usada para espantar os “inimigos” da aldeia. Em seguida, entraram na arena os povos Tapirapé, do Mato Grosso, que fizeram uma exibição rápida para mostrar a beleza de suas pinturas corporais e adereços, como colares, pulseiras e saias. Os Kayapó Gorotire fizeram a exibição do Ronkram, que utiliza uma bola de coco e uma borduna, espécie de bastão de madeira.  

A famosa Corrida de Tora, do povo Gavião, levantou o público. Mais de vinte guerreiros se dividem para conduzir a tora, que pesa mais de 50 quilos, dando a volta na arena. Houve ainda participação de índios da etnia Xavante, do Mato Grosso, que fizeram questão de participar da corrida.

Os jogos também estão com programação paralela nos segmentos culturais e de esporte. Estrelas como o capitão campeão Cafu, da Seleção Brasileira de Futebol; Giba, do voleibol, e os atores globais Vitor Fasano, Lucélia Santos e Marcos Frota também participam da programação dos Jogos Indígenas Mundiais.

 

Foto: Raimundo Paccó