Biodiversidade amazônica será destaque em Jogos Nacionais dos Povos Indígenas em 2016

A biodiversidade da Amazônia será destaque dos XIII Jogos Nacionais dos Povos Indígenas agendados para o mês de novembro deste ano em local ainda não definido. O Pará, por sua forte tradição cultural, tem interesse em organizar a festa, mas ainda depende de alguns ajustes técnicos para efetivar a ideia. Esta semana, a secretária de Esporte e Lazer Renilce Nicodemos se encontrou com Marcos Terena, do Comitê Intertribal de Memória e Ciência Indígena, para dar início à longa negociação para realização dos Jogos. “Ainda não tem nada definido. Temos a demonstração do interesse do Pará para fazer os jogos, porém, precisamos avaliar a proposta e estudar sua viabilidade”, disse Marcos Terena.  

O Pará já realizou três edições dos Jogos Nacionais e três regionais.  Essa experiência coloca o Estado na linha de frente em termos de conhecimento, gestão e assessoria técnica para realizar o evento, considerado pelo Comitê como a maior oportunidade de celebração, intercâmbio, além de preservação das culturas, língua e debates sobre a contextualização das nações indígenas. Para Terena não existe outro momento similar para as etnias enviarem suas mensagens de paz ao mundo inteiro.

Os XIII Jogos Nacionais dos Povos Indígenas serão preparativos ao Mundial que será realizado no Canadá. A temática será a biodiversidade da Amazônia, região onde está concentrado o maior contingente das etnias brasileiras. O segundo lugar é o Mato Grosso e o terceiro é o Pará.  Em termos populacionais, os números mudam tendo a região Centro-Oeste com maior percentual dos 800 mil índios reconhecidos pelo Estado brasileiro.

Durante os Jogos Indígenas também são debatidos, por meio do Fórum Social Indígena, os problemas que acometem as nações. Atualmente, segundo Marcos Terena, os povos enfrentam doenças relacionadas ao meio de vida moderno como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e diabetes devido ao consumo exagerado do açúcar. Por isso, durante os jogos são servidos cardápios especiais que evitam alimentos prejudiciais à saúde.

“Essa prática é boa porque dá exemplo de manter a vida saudável”, diz Terena, comentando ainda que essas mortes relacionadas a doenças modernas mexem com a cultura da pajelança ainda muito presente entre as etnias. “É a sabedoria popular e cultural que entra em choque”, completou o líder indígena.

Para tentar melhorar a saúde indígena, o Governo Federal criou uma Secretaria Especial, que segundo Terena, nunca saiu do papel e influencia diretamente na perda da qualidade de vida dos povos. O resultado maior são indivíduos de porte físico menor, fragilizados e sem anticorpos para doenças mais graves e sem nenhum sistema de prevenção. O Comitê Intertribal está atando junto ao Governo Federal para tentar reverter o caso.

Futuro – Diante da tantas situações adversas o Comitê Intertribal, parceiro do Ministério dos Esportes nas realizações dos Jogos Indígenas, também quer avançar nos debates sobre sustentabilidade e avaliação econômica para atender as etnias que recebem o incentivo dos grandes projetos de exploração mineral como os Gavião e Xicrim, no Pará.

De acordo com Marcos Terena é preciso rever essa relação, uma vez que os contratos são elaborados por indigenistas e não indígenas. O dinheiro fácil, também segundo Terena, acaba comprometendo a qualidade de vidas das etnias gerando uma população consumidora que aos poucos pode perder sua identidade cultural. “Nossa preocupação está relacionada a esses fatos, queremos mudar esse quadro e para isso temos que avançar nas discussões ao governo federal”, destacou.

Sobre o governo federal, especificamente os mandatos de Lula e Dilma, Terena tem uma avaliação negativa. “Acho que eles traíram a confiança da população indígena brasileira já que nunca promoveram nada em nosso favor. Não houve investimento”, destaca.

Para Marcos Terena a mudança do quadro sócioeconômico indígena será lenta e por meio da educação. Ele acredita que os herdeiros naturais das etnias estão se preparando para enfrentar os desafios da vida contemporânea. A nova geração indígena será formada por advogados, pedagogos, antropólogos e administradores de empresa. Cerca de mil indígenas estão cursando nível superior no Brasil.

 

Fotos: Arquivo Agência Pará de Notícia