Belém recebe o Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística Infantil

Belém vai se tornar a partir desta quinta-feira, dia 13, a capital brasileira da ginástica artística infantil. A capital paraense vai sediar o Campeonato Brasileiro da modalidade, que vai ser disputado até domingo, dia 16, no ginásio de esportes da Uepa, na avenida João Paulo. O torneio infantil não era realizado em Belém desde 2005 e a sua volta ao Estado vai marcar a inauguração oficial dos equipamentos de ginástica que foram doados à Federação Paraense de Ginástica pelo Ministério dos Esportes, por intermédio da Confederação Brasileira de Ginástica. O campeonato é promovido pela Confederação Brasileira de Ginástica e é organizado pela Federação Paraense de Ginástica (Fepagin), com apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer. A cerimônia de abertura do campeonato será nesta quinta-feira, a partir das 18 horas, com presença da titular da Seel, Renilce Nicodemos, e irá contar com uma apresentação das meninas da equipe de ginástica rítmica do Centro Norte de Ginástica. Na sexta-feira serão realizados treinos e reuniões de técnicos e árbitros. As disputas nas modalidades salto, paralelas, trave e solo acontecem sábado e domingo, das 9h40 às 12h35.

Os equipamentos doados à Federação Paraense de Ginástica pelo Ministério dos Esportes estão instalados no Centro Norte de Ginástica, administrado pela Fepagin. Através de convênio firmado com a entidade, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) é responsável pelo pagamento do aluguel do Centro e disponibiliza uma professora de balé para ministrar aulas no local. De acordo com o presidente da Fepagin, Agenor Paes, os equipamentos representam um verdadeiro legado dos Jogos Olímpicos no Brasil: “O set (de equipamentos de ginástica) que está montado no Centro Norte é o mesmo que foi montado para as Olimpíadas Rio 2016. São dois sets completos de equipamentos de ginástica artística e rítmica, uma para competição e outro para treinamento. Isso é uma espécie de legado das olimpíadas. Não conheço outro esporte que tenha recebido um legado das Olimpíadas em nossa região”. Agenor Paes afirma que a doação oficial dos equipamentos será feita em cerimônia durante a competição nacional: “Vamos aproveitar que os equipamentos vão ser colocados em uma disputa nacional e vamos fazer uma cerimônia de entrega oficial”.

O Centro Norte de Ginástica oferece aulas de forma gratuita e atende atualmente 380 pessoas a partir dos 4 anos de idade com aulas de ginástica artística masculina e feminina e ginástica rítmica, que é praticada somente por mulheres. As aulas acontecem das 8 às 12 horas e das 14h às 19 horas, de segunda a sexta-feira. Os alunos vêm de Icoaraci, Outeiro, Vila da Barca, Terra Firme, Guamá, Condor, Cremação, entre outros locais da Região Metropolitana de Belém, e do município de Castanhal.

Vários jovens que praticavam ginástica na rua, de forma improvisada, os “ginastas da serragem”, agora treinam com equipamentos de ponta e podem se desenvolver no esporte de forma adequada. Além de crianças e jovens com potencial técnico para chegar numa seleção brasileira, o Centro também é procurado por quem busca simplesmente o prazer de praticar a ginástica, diz Agenor Paes. “O projeto se estende à criança com intenção de ser um atleta de alto rendimento, mas também atende em prol do prazer de fazer ginástica. São pessoas que tinham na ginástica um sonho de criança que nunca se realizou e agora pode. No Centro, também treinam os ‘atletas da serragem’, que estão saindo de áreas periféricas de alto risco para ir para um espaço próprio, sem violência, sem risco. Também atendemos meninos que fazem parkour e o pessoal do Curro Velho, que trabalham com malabarismo, acrobacias, pessoas de espaços menos conhecidos que vão lá pra ganhar aprendizado com a gente. O espaço também é liberado para outras regiões, não atende só atletas do Pará, mas de municípios como Santarém, e Estados como Maranhão, Rondônia, Roraima.”

O Centro conta com dois professores de balé e dez professores de ginástica artística masculina e feminina e de ginástica rítmica. Segundo Agenor Paes, além do apoio firmado pelo convênio, a Seel também contribui com ajuda financeira para atletas que participam de competições. “A Seel, através de uma determinação do governador do Estado de que fosse feito o convênio que hoje é realidade, é responsável pelo pagamento do aluguel do imóvel onde funciona o Centro Norte. Através de uma determinação da Secretária Isabela Jatene (titular da Secretaria Extraordinária de Estado de Integração de Políticas Sociais do Governo do Pará), temos um convenio com o Propaz, qeu nos ajuda na manutenção deste Centro Norte. E a Seel também ajuda com apoio financeiro de viagem de atletas para campeonatos, tanto regionais quanto interestaduais”.

Além do Centro Norte, clube campeão paraense de Ginástica Rítmica na competição finalizada em setembro, Agenor Paes cita outros importantes polos de ginástica em Belém, como o Centro de Ginástica Artística da Uepa e o Projeto Centro de Excelência Caixa Jovens Promessas de Ginástica Rítmica, que funciona na escola municipal Antonio de Carvalho Brasil numa parceria da Prefeitura de Belém com a Caixa Econômica Federal e a Federação Paraense de Ginástica e que atende 150 crianças de 5 a 12 anos. “Nós temos alguns bons talentos, que não ficam só restritos ao próprio Centro Norte. Temos um centro de ginástica artística na Uepa que já revelou alguns bons talentos, que já participaram de competições nacionais e que já obtiveram bons resultados, competindo por clubes. Esses clubes treinam no ginásio da Uepa e se encarregam de levar os atletas que saem das divisões de bases desses projetos do governo. Os clubes entram como o nome, mas toda a infraestrutura é do governo do Estado. Os professores, ou são da Seduc ou são cedidos pela Seel”, afirma Agenor Paes.

A professora de balé cedida pela Seel ao Centro Norte de Ginástica, Karina Prado, é responsável pela parte técnica no treino das atletas e fala sobre a apresentação das meninas na abertura do campeonato: “Eu faço um trabalho paralelo com as meninas, de aperfeiçoar o posicionamento das pernas, dos braços e da cabeça, a consciência corporal de esticar os joelhos e pés, além da execução de determinados movimentos. Elas também fazem um trabalho de condicionamento físico para ganhar fortalecimento e flexibilidade com o professor de ginástica, eu reforço o trabalho dele. Como professora de balé eu ajudo na montagem das séries das coreografias para as apresentações, juntamente com o técnico de ginástica. Sobre a apresentação, montamos um trabalho diferenciado, onde a coreografia é feita em conjunto e todas vão participar” disse Karina.O treinador de ginástica do Centro, Silas Conceição, atesta a evolução das atletas: “Dou aulas para sete meninas de 5 a 10 anos de idade, faremos um ano de treinamento e estão com uma evolução muito boa. No campeonato, elas irão apenas se apresentar, pois ainda estão em fase de aprendizagem, mas já estou preparando elas para torneios. Algumas meninas que chegaram há poucos meses já estão executando movimentos que para os maiores são difíceis. Para mim, é uma satisfação ver a evolução delas, e vê-las alegres ao conseguir executar os movimentos”, disse o treinador. A ginasta Bianca Letycia, de 10 anos, faz parte do grupo de atletas de ginástica artística há um ano e fala sobre as expectativas para o campeonato: “O que eu sinto ao saber que vou me apresentar nesse campeonato é uma felicidade muito grande, para mim é uma emoção poder me apresentar para um monte de gente”, disse Bianca.

Para Agenor Paes, a expectativa para o campeonato é a de estimular surgimento de futuros atletas: “Trouxemos esse campeonato de ginástica para divulgar e fomentar a ginástica artística no nosso Estado. Eles vão ter a oportunidade de conhecer os futuros atletas, os que podem vir a substituir os atuais atletas olímpicos. Então esse campeonato vai dar oportunidade para que os atletas possam apresentar suas performances, e que as pessoas possam ver as nossas sementinhas de futuros atletas. Para nós é muito gratificante estar formando esta nova geração de ginastas. A criança chega aqui descoordenada, sem equilíbrio e com o tempo começa a sentir o desenvolvimento motor. Elas não faltam um só dia, acordam às 6 horas da manhã e as mães nos dizem que estão gostando do resultado da ginástica na vida de seus filhos. Elas melhoram em disciplina, estão bem em casa e nas escolas e passam a gostar da ginástica. A expectativa para o campeonato é que elas criem a esperança de ser futuros atletas”, disse o coordenador do Centro Norte de Ginástica e presidente da Fepagin, Agenor Paes.