Belém recebe a fase final do Grand Prix de Judô para Cegos

O Pará tem boas expectativas em relação à disputa da fase final do Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, competição nacional da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV), que acontece em Belém neste sábado, dia 12, no ginásio do Sesi, na avenida Almirante Barroso. A organização da competição é da CBDV, da Ascepa (Associação de Cegos do Pará), da Fepaju (Federação Paraense de Judô) e da Asfan (Associação Souza Filho de Artes Marciais). A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) apoia os atletas paraenses que irão competir.

Thiego Marques da Silva é pentacampeão brasileiro, de 2011 a 2015 E também foi vice-campeão no Mundial de Jovens de Judô em 2013, nos Estados Unidos.

Cerca de 300 atletas do Brasil vão participar da competição. Entre eles, toda a seleção paralímpica de judô do Brasil, que disputou os Jogos do Rio 2016, incluindo os quatro medalhistas. Nos Jogos Paralímpicos, todas as medalhas brasileiras foram de prata: Wilians Silva de Araujo na categoria 100kg masculino, Antonio Tenorio nos 100kg masculino, Alana Martins Maldonado nos 70kg feminino e Lucia da Silva Teixeira Araújo na categoria 57kg feminino.

Bicampeão brasileiro Sub-20, Thiago Ferreira da Silva afirma que uma competição nacional dentro de casa dá ainda mais motivação aos atletas

Entre os paraenses, se destaca uma dupla bem afinada da cidade de Parauapebas, Thiego Marques da Silva e Thiago Ferreira da Silva. Thiego tem 17 anos e está na faixa marrom, já Thiago está na faixa verde, aos 24 anos. Os dois começaram a treinar pela Aepa (Associação Esportiva e Paradesportiva do Sul e Sudeste do Pará), mas Thiago passou para a Ascepa quando veio morar em Belém.

Os dois já têm bastante experiência e são cotados como esperança de medalhas para o Estado. Thiego é pentacampeão nacional. Ele conquistou os títulos brasileiros de 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015 pela categoria Ligeira - Até 60 kg. Além disto, foi vice-campeão no Mundial de Jovens de Judô em 2013, nos Estados Unidos. Já Thiago foi campeão brasileiro Sub-20 duas vezes, no Grand Prix de São Paulo de 2010 e na etapa final do GP no mesmo ano, no Rio de Janeiro.

“No Grand Prix, a gente vai ter oportunidade de mostrar nosso talento junto a vários medalhistas paralímpicos, estrelas como o Antonio Tenório. A nossa expectativa é das melhores, é trazer medalhas para o Pará”, afirma Thiego. Já Thiago diz que competir em casa dá um “gostinho a mais”: “Já participamos de várias competições nacionais, mas a expectativa é sempre como se fosse a primeira. Nos preparamos muito bem e esperamos competir de igual para igual com qualquer atleta que iremos enfrentar. As nossas expectativas são as melhores possíveis. Para nós é uma honra competir em casa por um campeonato nacional, em casa é sempre um gostinho a mais”.

Depois do Grand Prix, Thiego vai se apresentar à Seleção Brasileira de Jovens de Judô Paralímpico. Ele foi convocado para disputar o ParaPan-Americano de Jovens, que será realizado em março de 2017, em São Paulo.

Os dois estiveram hoje na Seel acompanhados por Antônio Sergio, professor de judô e coordenador das modalidades paralímpicas da Aepa. “Cinco paraatletas da Aepa vão competir no Grand Prix: o Thiego, as gêmeas Daiane e Daniele de Souza, o Daniel Lira e a Keytleli Frazão. O Daniel e a Keytleli já têm experiência em competições nacionais. Já o Thiego foi convocado para Seleção Brasileira de Jovens de Judô Paralímpico para fazer o período de treinamento para competir em março de 2017 no ParaPan-Americano de Jovens, em São Paulo”, informou Antônio Sérgio.

O treinador foi um dos responsáveis pela implantação e consolidação de um projeto que introduziu a prática do judô paralímpico no Pará: “A Aepa tem um projeto chamado Judô Solidário, que foi pioneiro no Estado. O judô paralímpico começou a ser praticado no Estado em Parauapebas. Por isso, a nossa expectativa é boa, porque o Grand Prix vai coroar todo um ciclo paralímpico. A gente fecha este ciclo com essa competição em Belém que vai ser muito importante, porque a gente vai levar nossos atletas para conhecer o judô praticado por atletas de outros Estado.” Ele festeja os frutos do projeto: “A gente se sente muito orgulhoso com os frutos que estamos colhendo com o Judô Solidário, uma ideia que surgiu lá em 2005 e agora vamos fechar esse ciclo com chave de ouro. Este evento só vai incentivar não apenas o judô, mas o todo o paradesporto. Muitas pessoas que nem sabem que existe essa modalidade poderão passar a praticar.”

Antônio Sergio acompanhou de perto os Jogos Paralímpicos deste ano, no Rio de Janeiro, que para ele foi uma oportunidade de muito aprendizado: “Nós estivemos lá nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro e pudemos acompanhar a competição. A gente observou muita coisa, o nível técnico é realmente muito alto e conseguimos trazer muita informação sobre técnicas para podermos aplicar com nossos atletas. O Antonio Tenório é um dos melhores paraatletas do mundo e às vezes vai em Parauapebas com a gente e sempre leva essas informações de treinamento técnico. Ele é um grande incentivador do judô em Parauapebas. O judô paralímpico tem essa característica de longevidade. O Tenório tem 45 anos e o nível técnico dele é muito forte.”

O técnico aposta no potencial de seus judocas: “Nós temos já alguns atletas que hoje são referência, como o Thiego e a Larissa Oliveira, da Asfan. Então a gente vê que esses meninos se empenham, conseguem treinar e estudar, o que é mais difícil num grande centro como Belém. As dificuldades são grandes, mas o potencial deles é enorme e não é á toa que eles foram convocados para a seleção brasileira.”

Para Antônio Sergio, o apoio da Seel é uma oportunidade para o paradesporto paraense desenvolver todo o seu potencial: “Com este forte envolvimento da Seel nessa questão paralímpica, a gente vai sentir de perto o que já sabemos na teoria, que existe este potencial muito grande no esporte paralímpico. As pessoas com deficiência vêm com mais sede ao pote em uma disputa esportiva, mas do que os atletas convencionais.”