Atletas paralímpicos disputam torneio nacional de judô para cegos em Ananindeua

Ananindeua vai sediar a fase final do Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, competição nacional da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV). O torneio será disputado entre os dias 11 a 13 de novembro, no ginásio do Sesi, na rodovia Mário Covas, com organização da CBDV, da Ascepa (Associação de Cegos do Pará), da Fepaju (Federação Paraense de Judô) e da Asfam (Associação Souza Filho de Artes Marciais). A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) garantiu apoio aos atletas paraenses que irão competir com doação de quimonos e uniformes.

Cerca de 300 atletas do Brasil vão participar da competição. Entre eles, toda a seleção paralímpica do Brasil, que disputou recentemente os Jogos do Rio 2016, incluindo os quatro paratletas do judô que foram medalhistas. Nos Jogos Paralímpicos, todas as medalhas brasileiras foram de prata: Wilians Silva de Araujo na categoria 100kg masculino, Antonio Tenorio nos 100kg masculino, Alana Martins Maldonado nos 70kg feminino e Lucia da Silva Teixeira Araújo na categoria 57kg feminino.

No Grand Prix Infraero de Judô para Cegos, os paraatletas paraenses do judô já vão poder praticar as informações que o presidente da Ascepa, Raimundo Sales, a presidente da Asfam, Ana Cecília, e a técnica de judô, Lívia Nascimento, puderam adquirir durante os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Durante a competição, eles assistiram jogos e treinos, participaram de treinamentos e trocaram experiências com técnicos e paraatletas do Brasil e do exterior.

Ontem (21/09), Raimundo Sales e o professor e coordenador da Asfam, Reinaldo Costa, estiveram na sede da Seel para agradecer pelo apoio recebido da Secretaria, que lhes forneceu as três passagens aéreas para o Rio de Janeiro.

Segundo Raimundo Sales, o conhecimento adquirido nas Paralimpíadas será bem aproveitado por paraatletas paraenses de todas as modalidades. “Nós aprendemos muito, principalmente na questão do modo e período de treinamento das pessoas paralímpicas. Como o ritmo de treinamento, equipamentos utilizados para os treinos, que são coisas que fizeram a diferença. Muita coisa que observamos dá para aplicar aqui, no Pará. No futebol de cinco, por exemplo, eles usam a batida na lateral da trave pra orientar o cego na hora do chute a gol. No judô, eles usam muito a técnica da pegada e o tempo de reação do atleta. No goalball, a experiência que nós tivemos lá foi a questão da orientação espacial que os atletas têm em relação ao ritmo de jogo”, afirmou Sales.

O judô é a única arte marcial dos Jogos Paraolímpicos e é disputado nas Paralimpíadas desde Seul 1988. A estreia das mulheres foi feita em 2004, nos Jogos de Atenas. No Brasil, começou a ser disputado na década de 1980 e a primeira competição internacional que o país disputou foi o Torneio de Paris, em 1987. No ano seguinte, o Brasil conquistou três medalhas de bronze nas Paralimpíadas de Seul. Segundo os seus praticantes, este esporte ajuda as pessoas com deficiência devido ao aperfeiçoamento do equilíbrio.

O judô é praticado por atletas cegos e com deficiência visual que, divididos em categorias por peso, lutam segundo as mesmas regras da Federação Internacional de Judô. Poucos aspectos diferem do judô convencional: os atletas iniciam a luta com a pegada feita (um segurando no quimono do outro), a luta é interrompida quando os oponentes perdem o contato e não há punições para quem sai da área de combate. O esporte é praticado por judocas das três categorias oftalmológicas: B1 (cego), B2 (percepção de vulto) e B3 (definição de imagem). O atleta B1 é identificado com um círculo vermelho em cada ombro do quimono. O sistema de pontuação é igual ao olímpico e sua prática pode ser feita entre atletas cegos e não-cegos.