Surfista paraense desbrava a pororoca da Indonésia

A equipe da Associação Brasileira de Surf na Pororoca (Abraspo) chegou a Belém depois de surfar a pororoca “Bono”, localizada em Sumatra, na Indonésia. O projeto inicial era surfar o “Dragão Prateado”, do Rio Qiantang, em Hangzhou, na China, mas as condições climáticas extremas provocadas pelo tufão “Fitow” obrigaram a equipe a trocar a China pela Indonésia.

A viagem, apoiada pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), teve o objetivo de realizar um mapeamento das pororocas da Ásia para um projeto da Abraspo que pretende colocar o Brasil dentro do Circuito Mundial de Surf na Pororoca, nos mesmos moldes do circuito nacional criado pela entidade no ano de 1999.

“Um alerta emitido pelas autoridades chinesas impediu qualquer tipo de ação nas ondas de maré do Rio Qiantang, inclusive a navegação. Mesmo com todo empenho da Embaixada Brasileira em Xangai, devido a questões de segurança, as autoridades chinesas foram irredutíveis”, contou o surfista cearense George Noronha, que fez parte da equipe de desbravadores de Pororocas junto com os cearenses Adilton Mariano, Marcelo Bibita e o único paraense, Noélio Sobrinho.

A delegação foi convidada pela prefeitura de Hangzhou para participar em 2014 do surfe da pororoca chinesa, com todas as despesas pagas. “A viagem se transformou em uma fantástica aventura no meio da selva da Sumatra, o que de certa forma não fugia do projeto de planejamento logístico para a criação do 1º Circuito Mundial de Surf na Pororoca, sendo trocadas apenas a ordem dos mapeamentos, que primeiramente seria na China e somente depois na Indonésia”, comentou Noélio Sobrinho.

Os surfistas relatam a troca de experiência com os indonésios. “Explicaram toda a logística que é trabalhada por eles e quais as possibilidades de ajuda mútua para a realização de uma etapa do Circuito Mundial de Surf em ondas de maré. A estrutura existente no local é excelente”, conta Noélio. A estrutura no local foi projetada pelo surfista francês Anthony Collas, famoso por suas incursões pelo mundo em busca de surfar ondas de maré e que inclusive já esteve no Brasil.

"Na pequena vila de Teluk Meranti, surfistas, crianças, idosos, todos incorporaram o espírito da selva amazônica. Por onde passávamos éramos recebidos com um caloroso Terima Kasih, uma saudação local, seguido pelo grito de guerra da tribo”, comentou. “Essa calorosa receptividade é uma das principais características do povo indonésio e completava a paisagem que nos surpreendeu desde os primeiros contatos com o Rio Kampar e fazia nos sentirmos em casa durante todos os dias em que vivemos a incrível aventura de surfar Bono”, completou.

O próximo compromisso da Abraspo será o lançamento do livro “Auêra Auára - A história do Surf na Pororoca”, que conta 16 anos de experiências vividas por surfistas brasileiros e estrangeiros nas ondas da pororoca no Brasil e da França. Esta viagem para a China e o surf na pororoca da Indonésia já vão estar no livro, que vai ser lançado na primeira quinzena de novembro. A Expedição Abraspo Silver Dragon Bono 2013 contou com o patrocínio do Governo do Estado do Pará, Prefeitura de Belém e Governo do Estado do Ceará.

Liandro Brito - Ascom/Seel