Show pirotécnico marca abertura oficial dos Jogos Indígenas

Mais de quatro mil pessoas lotaram as arquibancadas da arena de competição dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, durante a abertura oficial do evento, na noite desta sexta-feira, 5. Diante de centenas de indígenas de 15 etnias brasileiras, usando vestimentas e pinturas tradicionais, moradores de Marapanim e Marudá se emocionaram com o espetáculo que incluiu a produção do fogo sagrado, o acendimento da pira que simbolizou o início dos Jogos e, para finalizar, um show pirotécnico de cerca de dez minutos que iluminou o céu da praia de Marudá, em Marapanim, nordeste do Pará.

A cerimônia de abertura começou às 17 horas, com o pôr do sol, mas desde o início da tarde o público já começava a ocupar as arquibancadas. Muitas delegações indígenas já chegavam à praia de Marudá cantando e dançando, manifestações claras de sua alegria pela participação no evento.

Uma a uma, as delegações foram entrando na arena, sob os aplausos e gritos de empolgação de um público curioso, mas já encantado com as cores e costumes trazidos pelas doze etnias paraenses – Aikewara (de São Domingos do Capim), Arawete (de Altamira), Assurini do Tocantins (de Tucuruí), Assurini do Xingu (de Altamira), Gavião Kiykatejê (de Bom Jesus do Tocantins), Gavião Parkatejê  (de Bom Jesus do Tocantins), Guarani (de Jacundá), Kayapó (de Tucumã), Munduruku (de Jacareacanga), Parakanã (de Altamira), Tembé (de Paragominas), Xikrin (de Ourilândia do Norte), Wai Wai (de Oriximiná) – além dos convidados Pataxó (da Bahia) e Xerente (do Tocantins).

O marco do evento foi a produção do fogo sagrado, assim chamado por ser feito pelo método tradicional, com fricção de gravetos. Uma senhora de 75 anos, moradora de Marapanim, entrou na arena segurando a tocha. Em seguida, a jovem Jopeptyre, de 12 anos, sobrinha do cacique Zeca Gavião, do povo Gavião Kiykatejê, e o guerreiro Beprô, do povo Kayapó, entraram levando o fogo sagrado. Eles acenderam dezenas tochas distribuídas por todo o entorno da arena.

Cada etnia dançou e cantou ao redor da fogueira acesa no centro da arena, como forma de pedir proteção aos ancestrais e aos deuses para o evento e todos os participantes. Os Pataxó realizaram um ritual que costuma ser feito nas tribos por ocasião do amanhecer e do pôr-do-sol. Enquanto os Xerente mostraram o ritual sagrado da tora, em que vários atletas correram carregando duas toras, cada uma pesando cerca de 120 quilos.

Após as apresentações das etnias, as bandeiras de Marapanim, do Pará e do Brasil foram hasteadas, enquanto um grupo Pataxó acompanhava a cantora paraense Adriana Cavalcante na execução do Hino Nacional. “Hoje, pouco mais de 450 mil índios vivem em solo nacional. Chega de escravizar e ceifar suas vidas. Temos sim a obrigação de pagar essa dívida, mesmo sabendo que isso é impagável. Os índios são de alma limpa e cristalina”, discursou a titular da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer (Seel), Renilce Nicodemos, ao lado do titular da Secretaria Especial de Promoção Social, Alex Fiuza de Melo, que representava o governador Simão Jatene na cerimônia. A prefeita de Marapanim, Edilene Moraes, foi representada pela secretária municipal de Turismo, Marlene Reis.

A festa prosseguiu com a corrida de tora demonstrada pelos índios Gavião Kiykatejê e Parkatejê. O grande final deu-se com o disparo de flechas para o acendimento da pira que simboliza o início dos jogos. A pira, toda trabalhada artesanalmente, foi confeccionada pelo artista plástico Bada, morador da cidade de Marapanim.

Um letreiro com a frase “Pense índio” também se iluminou com o fogo sagrado, pouco antes de um show de pirotecnia que durou cerca de dez minutos e encantou aos indígenas e ao público local.

Serviço:

Os IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará ocorrem até o dia 10 de setembro em distritos de Marapanim e na arena montada na praia de Marudá, nesta a partir das 15 horas. Toda a programação é gratuita.

 
Texto: Angela Gonzalez – Ascom Seel
Foto: Sidney Oliveira – Agência Pará de Notícias