Povo Gavião Kyikatejê é campeão de futebol masculino e feminino nos Jogos Indígenas

Os atletas da etnia Gavião Kyikatejê sagraram-se campeões do futebol, tanto no masculino quanto no feminino, na final da modalidade dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará. Eles ganharam de 2 a 0 do time dos Kayapó, enquanto elas tiveram que decidir nos pênaltis com as jogadoras da etnia Aikewara, vencendo de 4 a 3. As disputas ocorreram na manhã desta segunda-feira (8), no campo do Bacuriteua e no Estádio Municipal de Marapanim, o Araujão.

O dia começou com as semifinais. No masculino, os Xikrin jogaram contra Gavião Kyikatejê, mas quando o placar marcava 1 a 1, prestes a ser decidido nos pênaltis, foi detectada uma irregularidade: o jogador Rop Ni Xikrin se inscreveu apenas na equipe Gavião Parkatejê e, devido a isso, não poderia jogar por sua etnia. O time dos Xikrin foi desclassificado.

Na final masculina, o jogo foi tranquilo, com apenas uma falta cometida pelo jogador Bepkaekti Kayapó. Conforme definido no congresso técnico da atual versão dos jogos, o time tem direito a um substituto. Com isso, entrou em campo o jogador de número 14, Karopi. O primeiro gol dos Kyikatejê foi do jogador Gilberto, no primeiro tempo. O outro, no segundo tempo, foi feito por Soiti Karajá.

Definida a vitória, o capitão do time campeão, Cujcwaa, rodeado pela equipe, agradeceu aos deuses com uma oração em sua língua mãe. Depois, o time rezou também um Pai Nosso. “Estamos nos sentindo muito honrados com essa vitória sobre os Kayapó, apesar de sabermos que a vitória em si não é o mais importante. Somos um time de jovens atletas, mas já aprendemos que o futebol é alegria. Serve para fazermos novos amigos e para nos levar para um caminho bom”, disse Cujcwaa, de 18 anos.

Mulheres – Logo após a partida vitoriosa de 1 a 0 contra a equipe do Gavião Parkatejê, na semifinal, a jovem Hicer Aikewara, 18 anos, que fez o gol da vitória, mostrava-se confiante. “Acabamos de vencer as Parkatejê. Não foi fácil! Agora, vamos jogar pelo título contra as Kyikatejê. Sabemos que nenhum jogo é fácil, mas estamos preparadas e confiantes”, apostava a atleta, que se dedica ao futebol desde os 11 anos e pretende investir na carreira esportiva. “Quero ir adiante”, avisou a meio-campista.

Do lado dos Gavião Kyikatejê, a atacante Hakakwyi Kyikatejê, 29 anos, considerada artilheira do time, apostava na tradição de seu povo dentro do futebol. “Treino desde os 12 anos. Nossas meninas, assim como os homens do nosso povo, têm uma tradição muito forte com o futebol. Vimos o jogo das Aikewara. Elas jogam bem, mas vamos jogar na tranquilidade e mostrar o que sabemos em campo”, informava. O jogo das meninas foi duro e terminou no 0 a 0. Nos pênaltis, a partida foi decidida por 4 a 3 para as atletas do Gavião Kyikatejê.

Todas as etnias que participam dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará falam português, mas na hora de torcer, é na língua materna que são gritadas as palavras de incentivo a quem está em campo.

Texto: Dedé Mesquita – Ascom Seel
Foto: Sidney Oliveira – Agência  Pará