Paratleta paraense é ouro na Meia Maratona do Rio de Janeiro

O paratleta Elielson Silva, 26, foi medalha de ouro na Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, que disputou na categoria deficiência física membro inferior, no último dia 18 de agosto. Ele concluiu a prova em 1h43min, e o segundo colocado em 2h35. “Tive que subir no pódio sozinho, porque ele (segundo colocado) demorou muito pra chegar”, comentou, em tom de brincadeira, o atleta, que teve paralisia cerebral ao nascer.

Ao longo da infância e adolescência, Elielson fez diversos tratamentos para amenizar os sintomas da paralisia. Entrou com apenas 15 anos para o time de basquete da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), em Belém, mas foi no atletismo que se identificou e seguiu a vida esportiva. Lá ele conheceu a treinadora Marilene Miguel e pediu parceria para correr.

“O que mais gosto é correr. Me sinto bem. É uma forma de garantir a saúde e de estar bem com você mesmo. Me dá autoestima, me sinto bem fazendo o que gosto”, descreve Elielson. E assim, unindo prazer e trabalho, ele já conquistou mais de 40 medalhas, sendo 30 de ouro. Em 2012 também foi primeiro colocado na Meia Maratona do Rio e na Maratona de São Paulo. “Tirei o tênis e duas unhas vieram grudadas na meia. Foram 42 quilômetros de prova, mas valeu a pena o esforço. Quando cheguei nem acreditei. Pessoas que não tem qualquer limitação física não aguentaram e eu consegui”, afirma, relembrando a primeira colocação com orgulho.

Com o bom desempenho, Elielson conseguiu apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) e agora participa do programa Bolsa Talento, por meio da qual recebe mensalmente um apoio financeiro para treinar e competir. “Treino todos os dias na pista do Mangueirão, por cerca de duas horas. Minha maior vontade é disputar as Paralimpíadas do Rio em 2016”, afirmou. Com o incentivo da Bolsa, Elielson consegue custear os suplementos, tênis e roupas especiais para o treino. “São coisas que eu não tinha condições de comprar”, revela.

O atleta já vem intensificando os treinos para competir na Corrida de São Silvestre, que acontece final do ano, em São Paulo. “Ano passado ganhei medalha de ouro na minha categoria. Estou treinando e me dedicando cada vez mais para representar bem o Pará. Não é fácil sair de Belém e competir com outros atletas, que tem uma alta qualidade técnica”, comenta.

Segundo a treinadora Marilene Miguel, o apoio da Seel para atletas com deficiência locomotiva é fundamental. “Apesar do estímulo que os treinadores dão , o apoio financeiro é fundamental para a compra de materiais, suplementos e uniformes específicos para as condições dele, e ainda para custear as viagens. Esse apoio da Secretaria facilita muito o trabalho do atleta. Por isso que fazemos questão de visitar a Seel para dar o retorno desse investimento e agradecer o incentivo”, finalizou. “São historias de superação e motivação, como a do Elielson, que nos dão mais motivação para incentivar os paratletas paraenses. Sentimos orgulho do Elielson, assim como de todos os demais vários paratletas que apoiamos em competições pelo Brasil e que ajudam a levantar a bandeira do Pará no pódio”, disse o secretário da Seel, Vitor Miranda.

Liandro Brito - Ascom/Seel