Paraatleta da Seel é prata na 1ª Etapa Brasileira de Atletismo do Circuito Loteria/Caixa

   

O velocista paraatleta Bruno Lins, de 28 anos, ficou em segundo lugar na prova dos 400 metros rasos, disputada na 1ª Etapa Brasileira de Atletismo do Circuito Loteria/Caixa, em São Paulo. Ele foi o único representante do Pará e competiu com outros sete atletas do Sul e Sudeste. Além da boa colocação, Bruno conseguiu superar a sua melhor marca (1’14”80), com um tempo de 1’14”52.

“Agradeço a Seel e ao Governo do Estado pelo apoio que tenho recebido”, diz Bruno. Há um ano, ele faz parte do programa Bolsa Talento, da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), que lhe garante apoio financeiro com passagens, hospedagem e alimentação para competir em diversos estados. Já são mais de 20 campeonatos pelo país, dos quais participou com o apoio da Seel.

“Sou muito grato também à minha técnica - sem ela eu não seria o atleta que sou hoje - e à minha família - que é a minha base - por todo o incentivo que me dão. Sem eles, eu não seria nada”, completa Bruno. Bruno teve paralisia cerebral ao nascer. Os médicos alertaram a família que ele não sobreviveria, mas contra todas as previsões, Bruno mostrou uma enorme vontade de viver. As limitações impostas pela doença fizeram com que eles só começasse a dar os primeiros passos aos 10 anos, mas hoje ele não só anda, como corre por todo o país, deixando para trás tudo aquilo que poderia ter sido um motivo para desistir de seus sonhos.

Em abril passado ele ganhou medalha de prata nos 400 metros e bronze nos 100 metros no Open Championship – Brazilian Athletics and Swimming, realizado em São Paulo. A sua próxima competição será a 2ª Etapa Brasileira de Atletismo Caixa, que acontece em setembro, também na capital paulista. E como atleta obstinado que é, já treina para participar do Open de Atletismo que acontece na França, na segunda quinzena de agosto, a primeira competição internacional da qual participará.

Mesmo com diversas medalhas no currículo e com o apoio da Seel, Bruno conta que ainda sofre preconceito de algumas pessoas que não acreditam no seu bom desempenho. “Eu acho que deveria haver mais incentivo para o paratleta participar de eventos esportivos. Não estou falando do governo, mas da sociedade que não investe nas pessoas com deficiência”, diz Bruno.

Ele conta que chegou a pedir patrocínio para uma grande empresa de Belém, mas teve o apoio recusado. “Me ligaram de volta dizendo para eu pegar de volta meu currículo, porque senão eles o jogariam na lata do lixo. Me senti muito mal nesse dia”, comentou, sem esconder a tristeza que a lembrança do fato trazia. “O paratleta acaba não se motivando para competir e praticar um esporte. A sociedade precisa acreditar mais na gente. Felizmente há quem veja no portador de necessidade especial um talento em potencial, e o Governo do Estado é uma dessas forças que acredita no paratleta, e por eu agradeço muito por isso”, ressaltou.

Liandro Brito - Ascom/Seel