Ocas dos Jogos Indígenas podem virar atração turística em Belém

O governador Simão Jatene recebeu nesta segunda-feira (18) os índios Marcos e Carlos Terena, líderes indígenas que participam no Pará dos IV Jogos Tradicionais Indígenas, no distrito de Marudá, em Marapanim, de 4 a 10 de setembro. O governador decidiu visitar nesta terça-feira (19) o local onde foram construídas as ocas onde ficarão hospedados, durante o evento, cerca de 600 índios de 13 etnias paraenses e de mais duas outras convidadas: os Pataxó, da Bahia, que recepcionaram a Seleção da Alemanha durante a preparação dos jogadores para a Copa do Mundo, e os Xerente, do Tocantins.

A ideia é avaliar a viabilidade de trasladar as ocas que serão usadas como hospedagem para outro local onde possam servir como ponto de atração turística e de comercialização de produtos artesanais fabricados pelos índios. Marco Terena, representante dos povos indígenas brasileiros junto à Organização das Nações Unidas (ONU), e Carlos Terena, responsável pelo regulamento dos jogos – acompanhados pela secretária de Estado de Esporte e Lazer, Renilce Nicodemos –, falaram com o governador sobre o fortalecimento da cultura indígena no Pará.

Os indígenas presentearam Simão Jatene com um livro de fotografias editado pelo Ministério dos Esportes mostrando jogos indígenas de várias regiões brasileiras. A publicação será lançada no próximo encontro da ONU. “Viemos fazer essa visita de cortesia ao governador, que está retomando, depois de muitos anos, esse projeto que é o sonho dos indígenas aqui do Pará. Queremos mostrar a importância dos jogos indígenas para o Brasil e para o mundo e outras questões indígenas, como o respeito à natureza e à demarcação das terras”, disse Marcos Terena, que destacou a vinda dos índios de duas etnias visitantes, Pataxós e o Xerentes, do Tocantins, que fazem a “corrida da tora”.

Nos jogos indígenas do Pará serão apresentados três níveis de modalidades esportivas: a ocidental, que é o futebol masculino e feminino; a de intercâmbio, como arco e flecha, natação e canoagem, e os jogos de identidade, que mobilizarão times como o Gavião, do Pará, que fazem a corrida da tora, ou os Caiapó, de Redenção, também do Pará, que apresentarão algumas modalidades de luta, entre elas as bordunas. “Os jogos no Pará serão uma grande oportunidade de a gente mostrar nossas riquezas para a próxima olimpíada, que podem servir para um intercâmbio saudável, sem sofrimento físico da competição, de ganhar a qualquer custo. Aqui é uma celebração”, disse Marcos Terena.

No dia 4 de setembro, a abertura terá uma cerimônia que Marcos Terena diz ser um meio de mostrar a visão indígena sobre o universo. “Não fazemos nenhuma atividade pública sem a bênção da terra e o agradecimento ao Grande Espírito. Não é uma religião, mas uma solenidade tradicional indígena, simbolizada pelo fogo para iluminar nossos caminhos e também mostrar que temos a força da terra e da natureza, também”, explicou.

Os dois representantes das etnias indígenas reforçaram que o evento esportivo abrirá espaço para discussão de temas de caráter social, em um fórum que ocorre dentro da programação. Haverá atividades culturais todas as noites e uma novidade. “Além do fórum indígena dos debates e conversações que acontecerão paralelamente aos jogos, uma das apresentações será focada na força e na beleza da mulher indígena”, contou Marcos Terena.

Renilce Nicodemos e o secretário de Cultura, Paulo Chaves, devem acompanhar o governo na visita que está prevista para esta terça-feira. Simão Jatene que ouvir técnicos e engenheiros que construíram a taba indígena e a viabilidade de ela ser reconstruída em outro espaço em Belém. “É importante avaliar o potencial turístico e cultural desse projeto”, disse o governador.

A secretária de Esporte falou sobre o lançamento dos IV Jogos Indígenas do Pará, no último dia 16, quando foi exibido um vídeo que mostrou três edições dos jogos tradicionais feitos no Pará, nos municípios de Tucuruí (2004), Altamira (2005) e Conceição do Araguaia (2006). Os jogos já atraíram os olhos do Brasil para o Pará, há 14 anos, quando uma versão ocorreu na praia do Crispim, também em Marapanim. Segundo a secretária de Esporte, as ocas construídas na mata, em Marudá, este ano já atraíram mais de oito mil visitantes.

Ronald Junqueiro
Gabinete do Governador 

Fotos: Cristino Martins (Agência Pará) e Ray Nonato (Seel)