Obras do Ginásio Poliesportivo do Mangueirão seguem padrões internacionais de construção

Na próxima semana chega a Belém um dos maiores guindastes de obras de construção civil do país. O equipamento vem de Manaus (AM), via balsa, e chega à capital paraense para içar o telhado do Ginásio Poliesportivo do Estádio Olímpico do Pará, localizado na Rodovia Augusto Montenegro, uma iniciativa do governo do Estado, por meio das secretarias de Estado de Obras Públicas (Seop) e de Esporte e Lazer (Seel).

O guindaste fará o levantamento das cinco torres de aço que farão a sustentação do telhado. Após a fixação delas, começa o assentamento das telhas termoacústicas, do tipo Roll-On. O equipamento é tão grande que, para que ele seja colocado em funcionamento, outro guindaste vem junto apenas para montá-lo.

Para suportar o peso do guindaste em operação, determinadas áreas no entorno da obra foram preparadas e reforçadas com grelhas, mantas e britas (tipo de pedra) graduadas. Toda essa preparação foi feita por uma empresa de São Paulo, especialista nesse tipo de trabalho, e já está pronta, aguardando a chegada do equipamento a Belém.

O Ginásio Poliesportivo do Estádio Olímpico do Pará é do tipo multiuso, isto é, poderá receber qualquer tipo de evento esportivo, dentro dos padrões do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), além de ter espaço para shows e eventos culturais. A construção segue os padrões internacionais de infraestrutura e tem capacidade para 11.970 expectadores e 400 cadeirantes. Além disso, para o conforto do público, a obra comporta um estacionamento com capacidade para 224 vagas, além de bares, restaurantes, banheiros e dois elevadores.

O acesso o público será por meio de duas rampas que estão dentro dos padrões de acessibilidade recomendados pelo Ministério Público do Estado, e que já estão quase concluídas. Quando estiver pronto, o ginásio ocupará onze mil metros quadrados de área construída. Além disso, a arena é totalmente climatizada por central com capacidade de 1.200 TR – unidade que mede a capacidade de refrigeração. Um grupo gerador de energia também faz parte do complexo.

A obra, iniciada em junho de 2013, obteve recursos via empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O engenheiro responsável, Luiz Gomes Filho, explica que a construção é feita por um consórcio com três empresas. Ao todo, são 500 operários trabalhando, e alguns deles são preparados unicamente para trabalhar na parte que irá receber o telhado. Por ser um local muito alto, além do rígido controle dos equipamentos de segurança usados, os operários passaram por exames médicos completos e têm um adicional de periculosidade.

O engenheiro Luiz Gomes fala com entusiasmo sobre o futuro do Mangueirão e entorno. “É um projeto antigo o de dotar esta área de construções que beneficiem os atletas paraenses. O que teremos aqui é um ginásio no nível dos melhores do Brasil, com conforto, segurança e áreas de expansão, onde poderão ser implantados também centros de treinamento. Tudo está previsto no projeto, e temos certeza que isso será um grande incentivo a todos os atletas paraenses”, aposta Luiz Gomes.

Padrão - O Ginásio Poliesportivo do Estádio Olímpico do Pará segue o mesmo padrão arquitetônico do Mangueirão, mantendo a unidade visual do complexo inteiro, que tem ainda a previsão de construção de um parque aquático e quadras de treinamento. Os dois elevadores do ginásio dão acesso à arquibancada, tribunas – com capacidade para 287 cadeiras – e às oito cabines de imprensa. Os vestiários foram pensados e adaptados também para pessoas com necessidades especiais.

Por ser um espaço multiuso, a obra terá ainda uma infraestrutura de apoio, como camarins, área exclusiva de acesso de autoridades e artistas, espaço de monitoramento do público e outros serviços. A estrutura abriga 900 toneladas de aço, 22 mil metros cúbicos de concreto e 92 mil metros quadrados de formas. Estão sendo usadas 750 estacas, que, somadas em linha reta, equivalem a 16 quilômetros, a mesma distância entre o bairro do Bengui e o centro de Belém.

O piso da quadra é o mesmo usado no mundo inteiro. O diretor do Departamento Técnico da Seel, Luiz Haroldo Silva, esteve à frente das reuniões que definiram qual seria o piso ideal para o ginásio, sendo a opção pela marca Gerflor, a mesma usada em quadras de vários países, que usa uma capa chamada vinílica, com capacidade bem maior de receber impactos.

O placar eletrônico será de última geração, da marca Daktronics, com representação no Brasil. O equipamento segue o modelo, em forma circular, que é usado pelos ginásios de esporte americanos da liga de basquete NBA, o que dará ao público uma completa visão de qualquer lugar do ginásio.

Para Luiz Haroldo, as mudanças técnicas na obra se fizeram necessárias para o melhor aproveitamento do ginásio em toda a sua potencialidade. “O arquiteto que projetou o ginásio é o mesmo que projetou o Mangueirão, mas ele não se furtou de acatar nossas sugestões, quando mostramos que algumas mudanças poderiam ser feitas para melhorar os conceitos de arquibancadas, pisos e até do placar eletrônico do ginásio”, relembra Luiz Haroldo.

A Seel também está participando na assessoria técnica esportiva da construção do ginásio poliesportivo de Santarém e também na retomada das obras do estádio de futebol Colosso do Tapajós, naquela cidade da região oeste do Estado.

 

Texto: Dedé Mesquita - Ascom/ Seel

Foto: Sidney Oliveira - Agência Pará de Notícias