Marudá se despede dos Jogos Tradicionais Indígenas

Um espetáculo de cores, sons e rituais indígenas deu adeus, na noite desta quarta-feira, 10, a mais uma edição dos Jogos Tradicionais Indígenas do Pará. Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) e Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, o evento movimentou durante uma semana o distrito de Marudá, município de Marapanim, nordeste do estado, levando cerca de 100 mil pessoas ao local. Nos campos de futebol, nas ruas, na praia, na arena de competição, guerreiros de 15 etnias mostraram sua força, habilidade, integração e a luta para manter viva a identidade dos povos tradicionais.

Além das competições de futebol, atletismo, natação, canoagem e esportes tradicionais indígenas, durante sete dias, o público também acompanhou de perto um pouco do universo ritualístico dos povos tradicionais. Entre as cenas mais marcantes da semana, o principal destaque foi para o ritual de batismo dos Parkatejê, que pela primeira vez foi realizado fora da aldeia. Conhecida como Pemp, a cerimônia realizada na arena de competições em Marudá, mostrou o batismo de quatro adolescentes que passam da infância para a juventude.

No centro da arena, dois meninos e duas meninas ostentando as pinturas tradicionais de seu povo e com o corpo coberto de penas foram cercados por outros indígenas da etnia, que juntos dançaram e cantaram ao som de maracás. Segundo a tradição, antes da cerimônia de batismo, os adolescentes Parkatejê passam cerca de um ano recolhidos sem falar com quase ninguém. Nesse tempo, eles aprendem a caçar, a falar com os espíritos, entre outras habilidades. A rotina é rígida, incluindo banhos diários no rio às 4h da madrugada.

No último dia do evento, a final das modalidades de cabo de guerra, corrida de 100 metros e lançamento de lança, mostrou mais uma vez o espirito de festa das etnias, que se reuniram no centro da arena para celebrar a união dos povos tradicionais. Campeã da maioria das competições, a etnia Gavião Kykatejê – que venceu futebol masculino e feminino, natação e diversas modalidades de esporte tradicionais – foi aclamada pelo público. “O sucesso do nosso povo nesses jogos está ligado diretamente a nosso método de treinamento. Porque apesar dos momentos de festa, nós levamos muito a sério a prática de esportes na nossa aldeia, além do mais quando sabemos a proporção da competição que vamos participar”, afirmou Jakure Kykatejê, técnico do futebol masculino da etnia.

Para Renilce Nicodemos, titular do Seel, a quarta edição dos Jogos Tradicionais conseguiu superar as expectativas da organização. “É claro que esperávamos um evento de grande proporção, mas o resultado dos Jogos foi muito além do planejado. A movimentação no local, a repercussão do evento, tudo isso foi além das expectativas. O que mostra também a seriedade da nossa equipe em superar qualquer tipo de desafio”, afirmou a secretária.

Para o idealizador dos Jogos Indígenas, Marcos Terena, o evento cumpriu com a sua principal meta: estimular a integração e o respeito entre os povos de diferentes culturas. “Creio que a gente fez um trabalho muito bonito e é importante dizer o apoio que tivemos do Governo do Estado e de todos os moradores da região de Marudá. Pra gente, isso foi uma honra, uma alegria e a gente leva essa emoção como estímulo para a realização de outros trabalhos aqui no Pará e fora do estado”, contou o coordenador.

Texto: Adison Ferreira / Agência Pará de Notícia