Futebol mostra talento dos índios com a bola

O futebol de campo foi a atração das atividades esportivas do terceiro dia dos IV Jogos Tradicionais Indígenas, no distrito de Marudá, município de Marapanim, nordeste do Estado. As partidas das equipes, masculina e feminina, ocorreram simultaneamente em três diferentes locais. No campo do Bacuriteua, os jogos foram realizados apenas pelos times femininos das etnias Gavião Parkatejê, Kayapó, Xikrin, Parakanã Apyterewa, Munduruku, Aikewara e Assurini do Xingu. No campo da comunidade Vista Alegre e no estádio do Araujão, as partidas foram disputadas pelas equipes masculinas do Gavião Parkatejê, Parakanã Apyterewa, Kayapó, Xikrin, Munduruku, Aikewara, Wai Wai, Gavião Kyikatejê, Assurini do Xingu e Araweté.

Koikura Xikrin, técnico do time feminino da etnia Xikrin, disse que o trabalho de preparação da equipe começou há cerca de três meses, e que o treinamento das jogadoras envolveu toda a aldeia. “Como todas as mulheres da aldeia gostam muito de futebol, ao longo de 90 dias de treino tivemos um trabalho intenso, que só funcionou porque teve a ajuda de todos. A cada treino, o espírito de festa tomava conta do nosso povo”, contou o técnico.

Bons de bola - Um dos times mais esperados para entrar em campo, o Gavião Kyikatejê animou a torcida da comunidade Vista Alegre. Conhecida pelo forte relação com o esporte, a etnia, que já participou do campeonato paraense de futebol, fez justo à fama de “bons de bola” e marcou dois gols na equipe Wai Wai, que não saiu do zero. “O futebol é o principal esporte da nossa aldeia, por isso levamos muito a sério qualquer tipo de competição. E, independente de ganhar ou perder, entrar em campo sempre é motivo de festa e celebração para o nosso povo”, afirmou o técnico da equipe Gavião Kyikatejê, Jakure Gavião.

Com pouco mais de seis meses como atacante do time principal do Gavião Kyikatejê, o jogador Betire, 17 anos, disse que sonha com uma carreira profissional, e que encontra em sua aldeia a disposição para atuar com o esporte que escolheu. “Ser jogador de futebol é um sonho que eu tenho desde criança, por isso me sinto muito realizado em jogar nessa equipe, não apenas por ser um time profissional de futebol, mas principalmente por honrar a minha aldeia e o meu povo”, declarou. Ao final de todas as partidas, as etnias dançaram e fizeram uma oração de agradecimento.

No futebol feminino, as etnias que passaram para a segunda fase foram Xikrin, Kayapó e Aikewara. No masculino, as equipes vencedoras foram Kayapó, Xikrin, Gavião Parkatejê, Aikewara e Gavião Kyikatejê.

Os Jogos Tradicionais Indígenas do Pará prosseguem até o dia 10 de setembro, no distrito de Marudá. O evento é uma realização do Governo do Estado, via Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), em parceria com o Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena.

Texto: Adison Ferrera – Agência Pará de Notícias
Foto: Sidney Oliveira - Agência Pará de Notícias