Fórum Social debate alcoolismo entre os índios e direito de imagem

O I Fórum Social Indígena foi encerrado neste domingo (7) com palestras sobre saúde mental e um debate acerca da responsabilidade dos profissionais da imprensa quanto ao uso da imagem dos indígenas. Na plateia, mais de 60 indígenas e não indígenas, entre professores universitários, estudantes, moradores da região e representantes da sociedade civil tiraram dúvidas e deram sugestões aos profissionais que estavam na mesa.

O evento começou com as participações de Pedro Paulo Ferreira, da 3ª Regional do Programa de Saúde Mental, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), e da psicóloga Miriam Dantas, ligada ao Instituto Muirapinima, do município de Marapanim. “O alcoolismo e o uso de psicotrópicos estão entre os problemas mais frequentes entre os povos indígenas. Precisamos trabalhar com a prevenção desses problemas”, disse Miriam Dantas, que é de origem Tembé.

“Devido às diferenças culturais, há necessidade de um atendimento especial aos pacientes indígenas. Por isso, planejamos a criação de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) específico para o atendimento desses povos”, informou Pedro Paulo.

Imagem - A mesa redonda “Fotografia nos Jogos Indígenas: Responsabilidades com direitos autorais” (foto acima) foi outra novidade da programação dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará. Por solicitação dos irmãos Marcos e Carlos Terena, que coordenam o Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, o fotógrafo Raimundo Paccó, da Frame Photo, convidou fotojornalistas e documentaristas que, assim como ele, já trabalharam na cobertura de vários eventos realizados por povos indígenas. Participaram Roberta Tojal, que atua no Comitê Intertribal, Oswaldo Forte, Tasso Sarraf e Salvador Scofano.

Um dos assuntos mais discutidos foi o retorno material e simbólico do trabalho dos fotógrafos para os povos indígenas. “Quando se fala em retorno, geralmente se pensa em cotas nas publicações. Mas o que temos que entender é que mandar algumas cópias dos livros que publicamos, por si só, não chega a ser realmente um retorno. Vamos ministrar oficinas, mostrar aos indígenas como fazemos nosso trabalho, ensiná-los a fotografar, ou promover mais debates como esse nas aldeias”, ressaltou Roberta Tojal.

Marcos Terena mais uma vez solicitou o apoio dos fotógrafos para a composição do banco de imagens do Comitê Intertribal. Salvador Scofano, que já cobriu vários eventos indígenas, ofereceu suas imagens e pediu informações mais precisas sobre o banco de imagens do Comitê. “Às vezes, a gente quer doar o material, mas não sabe a quem se dirigir”, disse Scofano.

A professora Viviane Menna Barreto, da Faculdade Estácio-FAP, que coordena o projeto Expedições e Cartografias da Amazônia, também ofereceu imagens. “Temos sete fotógrafos na nossa equipe, e estamos finalizando um HD com muitas imagens desses jogos. Queremos doar esse material”, informou a professora.

Ao final do debate, o coordenador da mesa, Raimundo Paccó, entregou a Marcos Terena um exemplar do livro “Auêra-Auara: A História do Surf na Pororoca”.

Texto: Angela Gonzalez – Ascom Seel
Foto: Anderson Silva – Divulgação