Fórum Indígena discute assuntos pertinentes às etnias

Indígenas e não indígenas reuniram-se, na manhã deste sábado, na abertura do Fórum Social Indígena, programação realizada dentro dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará. O evento começou com uma cerimônia realizada por um representante do povo Guarany. Ele fez uma oração para pedir boas energias ao evento. Com cânticos e danças, o indígena conseguiu emocionar os participantes, em especial os não indígenas que não conheciam o ritual.

Após a oração realizada em língua tupi-guarani, a coordenadora do Instituto Muirapinima, produtor executivo dos Jogos, Fátima Koury, foi a primeira a falar. Ela estava visivelmente emocionada. “Desculpem se me emocionei demais com esse ritual, mas realmente este é um momento imensamente importante para todos nós”, disse Fátima, que lembrou a origem histórica do nome do município de Marapanim, palavra da língua nheengatu, derivada do tupi-guarani, significa “borboletinha das águas”, nome dado pelos índios da região.

“Os índios que viviam aqui viam no mês de setembro um grande número de borboletas pequenas vindo do mar. E por isso deram esse nome ao lugar”, explicou a representante do instituto que atua em parceria com a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) na realização dos Jogos Indígenas nesta edição.

Um representante da prefeitura de Palmas (TO), onde deve ser realizados os I Jogos Mundiais Indígenas, em setembro de 2015, exibiu aos participantes do Fórum um vídeo institucional sobre a preparação do evento mundial. “Palmas é uma cidade de apenas 25 anos, mas é projetada e temos hoje uma secretaria especialmente formada para trabalhar a viabilização de toda a logística que vai garantir a realização dos Jogos Mundiais Indígenas em nossa capital”, disse Kairo Bernardo, representante do prefeito Carlos Amastha, que é boliviano e é o primeiro estrangeiro eleito prefeito no Brasil.

Carlos Terena, do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, que idealizou os Jogos que ocorrem no Pará, falou de sua alegria sobre a realização dos Jogos Mundiais. “Somos muito gratos à secretária Renilce Nicodemos, da Seel, porque depois de mais de dez anos sem conseguirmos realizar os jogos, ela nos ajudou e agora estamos todos aqui reunidos nesse lindo evento”, disse Terena.
O cacique Edson Xerente, de Tocantins, também está empolgado para receber indígenas de várias partes do mundo. “Tivemos aqui no Brasil a Copa do Mundo. Nosso povo também chorou quando o Brasil perdeu porque somos brasileiros. O mesmo sangue que corre em suas veias corre também nas nossas”, disse aos não indígenas que participavam do Fórum.
 
“Mas acreditamos que os Jogos Mundiais dos nossos povos não vão ser assim. Vamos vencer porque somos brasileiros. Não importa que seja a nossa etnia ou uma etnia do Pará ou de outro estado. O que queremos é que uma etnia brasileira vença. Vamos mostrar aos indígenas dos outros países a força do indígena do Brasil!”, empolgou-se.
 
O primeiro dia de Fórum encerrou com uma palestra da médica Raquel Gomes, da Secretaria Estado de Saúde (Sespa). Ela falou sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), mostrando imagens e explicando os sintomas e tratamento de cada doença.
 
Na manhã deste domingo, o Fórum segue com o médico Pedro Paulo Nascimento, Coordenador Regional de Saúde Mental da Sespa, que realizará palestra sobre saúde mental, e com o fotógrafo Raimundo Paccó que falará sobre o uso da imagem na cobertura de eventos indígenas.
 
Texto: Angela Gonzalez – Ascom Seel
Foto: Anderson Silva – Divulgação