Etnias recebem boas vindas durante reunião

  

Uma reunião geral entre lideranças de todas as 15 etnias – 13 paraenses e duas convidadas – e os organizadores dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará ocorreu nesta quinta-feira (4). O objetivo foi dar as boas-vindas e também tornar as lideranças cientes dos regulamentos do alojamento em que os indígenas estão hospedados. Entre as regras está a proibição de bebidas, drogas e cigarros.

A reunião começou com as explanações de Marcos Terena, do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena, e da coordenadora geral dos jogos, Ana Júlia Chermont. “Todas as etnias já chegaram. Esta reunião é para lhes dar as boas-vindas e para repassar às lideranças os regulamentos que objetivam tornar a permanência deles a melhor possível. Tudo aqui foi projetado e construído pensando neles, nas necessidades deles. Nosso maior objetivo é que se sintam em casa e que saiam daqui felizes”, disse ela.

Marcos Terena aproveitou para incentivar os índios que participarão das competições esportivas. “Não esqueçam que os melhores atletas daqui poderão participar dos jogos mundiais, em Tocantins, no ano que vem”, lembrou. Em seguida, cada uma das lideranças indígenas tomou a palavra. Todos se comprometeram em zelar pelo complexo de 16 ocas construído especialmente para abrigar os atletas e demais participantes indígenas. Muitos elogiaram a estrutura.

“Já participamos de outros jogos, mas estamos vendo que os deste ano melhoraram muito. Está tudo muito bem organizado. Até o acesso ao alojamento. Estamos gostando muito”, disse Mahu Aikewara. “Quanto aos regulamentos, nosso povo vai se empenhar para cumprir tudo. Vamos estar atentos principalmente aos jovens, que precisam aprender a zelar por tudo e pela nossa cultura”, continuou.

A reunião informou ainda que, em caso de qualquer problema, os hóspedes indígenas devem se dirigir às ocas da administração ou de saúde, instaladas dentro do próprio alojamento. Também estará à disposição dos índios uma oca onde eles próprios vão vender seus artesanatos, além de um infocentro, cinemateca e exposição fotográfica, localizados na praia de Marudá.

Chegada - A maior parte das etnias chegou entre a noite de quarta-feira (3) e a madrugada de quinta. Depois de instalados em suas respectivas ocas, eles fizeram danças na área livre existente no meio do alojamento, como forma de saudar as demais etnias e também para levar boas energias ao local.

Um grupo de cerca de 20 homens da etnia Araweté fez, de braços atados, uma dança de acasalamento. “A música que cantamos nessa dança de acasalamento é sobre um pássaro que muda de lugar. Nosso povo conhece esse pássaro como Irã. Na língua de vocês quer dizer ‘garça’”, explicou um dos jovens envolvidos na apresentação.

Os Assuruni, da região do Xingu, que participam do evento com 30 adultos e doze crianças, também dançaram logo após a chegada. Eles apresentaram o ritual do Turé (foto acima), que consiste numa dança cadenciada em que se tocam espécies de flautas feitas com tabocas. Antes, porém, fizeram um breve ritual pedindo aos seus deuses autorização para tocar as tabocas. “Nunca tocamos sem pedir permissão aos deuses”, informou Ajê Assurini, liderança da etnia. “O Turé é uma dança muito importante para nós. Dançamos quando estamos satisfeitos, felizes, em vários momentos, ao longo do ano. O principal é o Turé da colheita do milho, em janeiro, quando realizamos sempre uma grande festa”, explicou a liderança.

Na apresentação realizada no alojamento dos jogos, o cacique Mureíra também participou. “Ele é o nosso cacique mais velho. Deve ter uns 80 anos. Está acompanhado da mulher dele, Maracawáa. Todos dois também são pajé”, acrescentou Ajê.

Texto e foto: Angela Gonzalez – Ascom\ Seel