Esportes tradicionais indígenas levam grande público à arena em Marudá

A arena dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará lotou, montada na praia de Marudá, na tarde de sábado, 6, no primeiro dia de apresentação dos esportes tradicionais. Atletas de vários de povos competiram nas modalidades arco e flecha, arremesso de lança e corrida de toras. Houve também demonstração de Kaipy, uma modalidade em que o guerreiro dispara a flecha para o chão, desviando-a para o alto e para frente até acertar o alvo.

O arco e flecha, muito usados no passado em guerras entre tribos guerreiras, hoje são utilizado com a finalidade de caça de subsistência. As competições dessa modalidade foram divididas em duas baterias, cada uma com doze atletas inscritos.

Na primeira, participaram Ikatu Surui, dos Aikewara; Tikinea, dos Arawete; Aje Assurini, dos Assurini do Xingu; Aikapotati, dos Gavião Kyikatejê; Hityiti Jocunti, dos Gavião Parkatejê ; José Tosino, dos Guarani; Beptopup, dos Kayapó; Enildo Kirixi, dos Munduruku; Neno, dos Parakanã; Sérgio Muxi, dos Tembé; Nivaldo Cuusa, dos Wai Wai; e Koikur, dos Xikrin.

A segunda bateria veio com Tapiwkaw Surui, dos Aikewara; Twaniwan, dos Arawete; Paraty, dos Assurini do Xingu; Prekrore, dos Gavião Kyikatejê; Joprakatire, dos Gavião Parkatejê ; Ailton Pereira, dos Guarani; Karõpi, dos Kayapó; Joelson Kaba, dos Munduruku; Koxameura, dos Parakanã; Muxiran, dos Tembé; e Felipe Wiripi, dos Wai Wai.

O alvo nessa primeira fase das competições foi a imagem de um xaréu, peixe muito conhecido dos moradores da região. Cada parte do corpo do peixe foi demarcado com uma pontuação, sendo a maior para quem acertasse o olho do animal.

Kaipy – Após as duas baterias, alguns indígenas demonstraram o Kaipy. Nessa modalidade o arco é disparado em direção ao chão, a flecha desvia e sobe e depois segue para a frente para acertar o alvo. A tala de uma palma de coqueiro é enrolada e nela são afixadas duas flechas. Esse conjunto é colocado no chão, à frente do atleta para delimitar o espaço do chão em que ele pode mirar. Ganha quem conseguir fazer a flecha chegar mais longe.

Após apresentação do Kaipy, houve o arremesso de lanças, seguido de três rituais realizados pelos representantes do povo Gavião Kyikatejê. Homens, mulheres e crianças, distribuídos em duas filas paralelas, dançaram e cantaram agitando seus maracás para pedir proteção dos deuses às famílias. Depois, o mesmo grupo homenageou a lua e encerrou apresentando a dança do peixe. Dessa vez, homens cobertos de palha dançaram simbolizando peixes que fogem de uma lontra.

A última modalidade de ontem foi a corrida de toras, apresentada pelo povo Gavião Kyikatejê. Três clãs entraram na arena. Cada um com nome de algum animal: peixe, arraia e lontra. As toras receberam desenhos correspondentes a cada clã. Autorizada a largada, os grupos passaram a correr dando três voltas por toda a arena, revezando suas toras entre os integrantes, sem parar de correr.

Após apresentação dos indígenas, quatro voluntários da plateia (foto acima) se ofereceram para correr revezando as toras junto com os índios. Foram improvisadas duas equipes: “saco roxo” e “macho pra chuchu”. Esse momento de integração e descontração arrancou muitas risadas da plateia. Ambas as equipes foram consideradas vencedoras. Os indígenas presentearam os não indígenas com flechas.

Os convidados Xerente, do Tocantins, também mostraram sua corrida de toras, que difere em alguns detalhes da prática encontrada entre os Gavião Kyikatejê, do Pará. A tora usada pelos Xerente é mais comprida e menos grossa. Os Xerente deram cinco voltas na arena. Quatro guerreiras ficaram posicionadas no fundo da arena para marcar o limite da corrida dos guerreiros.

Os Xerente encerraram sua corrida com uma dança circular ao redor da pira acesa à frente da arena, que guarda o fogo sagrado aceso na abertura dessa versão dos jogos, na última sexta-feira, 5.

Cultural – Após as competições deste sábado, o público vibrou com a apresentação do grupo de carimbó “Felicidade não tem idade”, composto por 28 dançarinos com idades entre 60 e 86 anos. “Fundamos esse grupo há oito anos, em nosso município de Marapanim”, contou Maria Dinair Cardoso de Abreu, de 69 anos, a fundadora do grupo.

Também houve apresentação de alunos de escolas públicas de Marapanim, que apresentaram uma coreografia em homenagem ao Brasil, no qual as meninas usaram fitas verdes e amarelas e os meninos fizeram ‘embaixadinhas’ com bolas de futebol.

 
Texto: Angela Gonzalez – Ascom Seel
Foto: Ray Nonato – Ascom Seel