Desfile em Marudá mostra a beleza e graça da mulher indígena

Uma das atrações dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, que estão sendo realizados até o dia 10 deste mês, na praia de Marudá, município de Marapanim, região nordeste do Estado, foi a apresentação de 15 guerreiras no desfile Beleza Indígena Paraense Cunha Porã, na noite deste domingo, dia 7. Quinzes belas mulheres, com idades entre 14 e 25 anos, representando 12 povos, se apresentaram em trajes esporte e típico. O público presente ficou encantado com a beleza e a graça das meninas guerreiras.

O desfile não é uma competição e sim uma mostra das diferenças entre as etnias. A escolha de cada uma das representantes foi feita pelo cacique da tribo. A apresentação é motivada para que cada povo mostre um traço, uma pintura, uma cor, diferenciando cada uma das mulheres por meio desses fatores. “Cada povo é diferente um do outro. O desfile é um meio de mostrar ao público a biodiversidade da mulher indígena, apresentada por 15 moças, cada uma representando o seu povo, em sua cultura e tradição”, informou Maíra Elluké Terena, jornalista e coordenadora do desfile.

Pelo povo Xerente, do estado do Tocantins, a representante foi Elizabete Kuzeide, que usou como traje típico uma saia e um cocar de palha de buriti e um colar feito de tiririca. Os Gavião Parkatejê, do município de Bom Jesus (PA), tiveram duas representantes, Pekatti e Aiteprambre. As duas usaram um adorno na cabeça feito de cabaça e um ‘arrin’ que é usado tradicionalmente para carregar bebê.

Os Gavião Kyikatejê também tiveram duas representantes: Kakokrere e Seleste, e elas usaram cocar de pena, pulseira, cinto e colar de miçangas. A representante Tembé foi Elinete, que suou uma saia feita de taboca, capacete feito com pena de arara e pintura corporal que significa pedaços da lua. Pelos Pataxó, do estado da Bahia, a representante foi Exna, que usou uma saia de sementes de tento e um top de embira. A representante dos Parakanã Apyterewa foi Ku Txamevoa, que usou uma saia de tucum, colares de semente e outro cocar de morongó.

A representante Kayapó foi Mrodjabi, que usou um bracelete, pulseiras e colares de miçangas e um cocar de penas. A guerreira Guarani foi Tantantin-in que usou a roupa tradicional guarani, com saia e blusa de tecido branco, adornado com pinturas tradicionais de acordo com a pintura do corpo. O representante Kaiapó foi Nikorotí, que usou bracelete e colares feitos com miçangas e um cocar de penas de arara. Pelos Aikewara, desfilou Picore que usou uma saia feita de algodão tradicional da etnia.

Pelos Munduruku também foram duas representantes: Delga Dace Munduruku e Tamera Criskrixi Munduruku, que usaram uma saia feita de tauari; a pintura do rosto, que significa pássaro tesoureiro e a do corpo, que significa mulher guerreira. E a representante Aikewara foi Erute, que usou uma saia feita de algodão tradicional da etnia.

É segunda vez em que o desfile é realizado, sendo que a primeira foi em Cuiabá (MT), no ano passado. O desfile das moças foi coordenado por Tainara Terena, Miss Mato Grosso em 2007, que fez o treinamento de passarela com as indígenas. “Nossa intenção é que elas se interessem cada vez mais em participar de desfiles como este. E que elas também percebam como são bonitas e que têm muito que mostrar”, disse Tainara.

A passarela foi montada no meio da arena de competições e ainda tinha um tablado mais alto, no qual as indígenas subiam e mostraram desembaraço com seus objetos usuais, como arco, flechas e apitos. O público aplaudiu com entusiasmo cada uma das representantes dos povos indígenas.

Texto: Dedé Mesquita – Ascom Seel
Foto: Ray Nonato – Ascom Seel