Cabo de guerra e corrida animam o quarto dia de competições

O quarto dia dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará, em Marudá, município de Marapanim, nordeste do Estado, começou com mais uma etapa de futebol de campo, nas modalidades masculina e feminina. No estádio do Araujão, as partidas foram entre os guerreiros das etnias Kayapó, Gavião Parkatejê, Xikrin, Aikewara, Gavião Kykatejê e Tembé.

No campo do Bacuriteua, a disputa foi entre as mulheres do Aikewara, Gavião Kykatejê, Tembé, Xikrin, Kayapó e Gavião Parkatejê. A tarde foi a vez dos esportes tradicionais com disputa de cabo de guerra, rõnkran e corrida de 100 metros para mulheres. As competições tradicionais ocorreram na arena de jogos montada na praia de Marudá.
 
Desde o inicio da manhã, a movimentação já era grande ao redor dos principais espaços de competição.  No estádio do Araujão, indígenas de diversas etnias animaram a torcida e fizeram um ritual pedindo proteção durante a partida. Dentro de campo, a equipe masculina do Gavião Kyikatejê, que já participou do Campeonato Paraense de Futebol, mostrou novamente a grande habilidade com o esporte, vencendo a equipe dos Kayapó por 4 X 1.
 
“A cada nova vitória, nós temos a certeza do quanto é importante investir em um futebol praticado apenas por indígenas. E é isso que o nosso povo defende. Não queremos formar uma equipe apenas para disputar competições, queremos disputar os campeonatos e afirmar a importância das nossas raízes e tradições dentro e fora dos estádios”, declarou o técnico da equipe Gavião Kyikatejê, Jakure Gavião.
 
Nesta segunda-feira, 8, serão disputadas as finais de futebol de campo. No feminino, a semifinal será entre Aikewara e Gavião Parkatejê. A equipe vencedora dessa disputa joga a final contra a equipe do povo Gavião Kyikatejê. No masculino, a semifinal será entre os Xikrin e os Gavião Kyikatejê. Quem vencer joga a final contra o povo Kayapó.
 
Tradicionais – Na arena de competições tradicionais, o público lotou as arquibancadas para acompanhar de perto a força de 13 etnias na disputa pelo cabo de guerra. Praticado por equipes masculina e feminina, a atividade esportiva animou a multidão, que vibrava cada vez que uma etnia derrubava a outra no chão. Após cada vitória, os rituais de celebração tomavam conta da arena, com indígenas dançando e cantando em agradecimento ao resultado de cada nova disputa.
 
“Esses rituais de dança representam o espírito de festa com que cada guerreiro encara esses tipos de competição. Por isso, que independente das disputas dentro da arena, o que prevalece entre as diversas etnias é o espirito de fraternidade e celebração”, explicou Marcos Terena, idealizador dos Jogos Indígenas e coordenador do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena.
 
Apresentado pelos guerreiros da etnia Kayapó, o rõnkran – esporte tradicional indígena que consiste em um jogo com bastões e um bola feita de coco de babaçu – também animou o público presente na arena. A maratona de atividades esportivas terminou com uma corrida de 100 metros, disputado dentro da arena apenas por mulheres das etnias.
 
Após os jogos, a programação na arena seguiu ainda com apresentação de grupos de carimbó e a escolha da “beleza indígena”, que mostrou um desfile com mulheres de todas  as 15 etnias participantes do evento.
 
A quarta edição dos Jogos Tradicionais Indígenas do Pará segue até a próxima quarta-feira, 10, no distrito de Marudá, município de Marapanim. O evento é uma realização do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), em parceria com o Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena.
 
Texto: Adison Ferrera – Agência Pará
Foto: Ray Nonato – Ascom Seel