Índios mostram danças e rituais tradicionais na arena dos Jogos Indígenas

O penúltimo dia dos IV Jogos Tradicionais Indígenas do Pará teve danças sagradas e luta corporal, sempre com muita interação entre atletas e público. Moradores locais levaram uma banda para animar a torcida que se formou durante o evento. A tarde começou com a demonstração de peteca, pelos Kiykatejê, divididos em duas equipes: arara e gavião (foto acima). O objetivo do jogo é manter a peteca no ar por maior tempo possível. Depois, eles mostraram para o público a cerimônia Pohutete, também conhecida como festa do milho verde.

Os Kiykatejê apresentaram também a brincadeira do mamão. Como se tratava de uma demonstração, os indígenas usaram uma bola de futebol, em vez da fruta. Equipes de homens e mulheres se enfrentaram pela disputa do objeto numa espécie de luta corporal que começa com apenas um casal, mas que rapidamente ganha novos adeptos de ambos os lados. Aqueles que se sentem com vontade participar entram na luta para tirar o mamão do grupo adversário. Dezenas de homens e mulheres jogam-se uns sobre os outros até que alguém consiga tomar o mamão da outra equipe.

Em seguida, foi apresentada a luta corporal Xikrin, que começou com um ritual de preparação. Trata-se de uma luta que não tem juiz. Duplas se enfrentam. Ganha aquele que consegue derrubar o adversário de costas. Outro voluntário da plateia pediu para participar e foi parabenizado pelos índios pela resistência. O cacique Xikrin encerrou a apresentação ensinando ao público um pouco de sua língua. “Boa tarde! Gostamos muito do povo de Marudá”, disse ele, na idioma materno.

Manifestações - O povo Xerente encantou o público com a dança do Gavião. Homens e mulheres, dispostos numa fila em que seguram uns nas cinturas dos outros, se movem em várias direções, enquanto outro parente corre simbolizando o gavião. Eles fazem com a boca barulhos semelhantes a sonos de pássaros. Trata-se de uma manifestação cultural que traz uma lição ambiental. “O gavião costuma caçar na mata, mas com os desmatamentos, eles não têm onde caçar e invadem as aldeias em busca de alimento. Essa dança simboliza os ‘parentes’ defendendo suas caças do gavião faminto”, explicou o cacique Edson Xerente.

Os Munduruku fizeram a dança do Matrinxã, em que mulheres e homens agitam-se graciosamente numa grande roda. Os Kayapó apresentaram a dança do Marimbundo. Os Wai Wai se apresentaram em seguida, mostrando a dança dos caçadores, feita sempre que chegam à aldeia depois de uma boa caçada. Os guerreiros entraram em fila, segurando seus instrumentos de caça. Eles circundaram a arena num passo cadenciado, agitando arcos e flechas de um lado a outro.

Os últimos a se apresentar foram os Pataxó, da Bahia, com uma luta corporal envolvendo rapazes que querem casar. O objetivo é mostrar para a família da moça pretendida que o rapaz já tem condições físicas de sustentar a mulher e a nova família. Os lutadores agarram uma das pernas no oponente para tentar derrubá-lo.

Finda a apresentação, os Pataxó agradeceram aos moradores da comunidade de Bacuriteua, em Marapanim, por terem sido tão bem recepcionados. “Já estivemos aqui alguns anos atrás e voltamos hoje para ver como estava o lugar. Fomos muito bem recebidos. Os moradores nos mostraram tudo e nos levaram até o rio. Gostamos muito de vir aqui porque os paraenses são sempre muito carinhosos com nosso povo”, disse o cacique Tibira que, ao final da apresentação, jogou colares para o público.

Grupos folclóricos locais também se apresentaram, mostrando a dança da farinhada e do encanto do boto. No final, indígenas e não indígenas entraram na arena para dançar o carimbó, assim como fez Piranã, um dos guerreiros Pataxó.

Nesta quarta-feira (10), último dia de jogos, a coordenação promete um encerramento que deve ficar na memória de indígenas e não indígenas, com direito à queima de fogos ainda maior que a da abertura, entre muitas outras atrações. A programação começa de manhã, com a corrida de fundo, de cinco mil metros, pelas ruas de Marudá, e se encerra no fim da tarde, quando haverá a programação final.

Texto: Angela Gozalez – Ascom\ Seel
Foto: Ray Nonato – Ascom\ Seel